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Pesquisa realizada pela Söl Ecologia e Agricultura, uma organização não-governamental com sede na Alemanha, revela que 841 mil hectares das terras brasileiras são reservados a produtos orgânicos - em cultivo e em extrativismo. Com isso, o País é o quinto no mundo, atrás dos Estados Unidos, Itália, Argentina e Austrália - que, sozinha, produz orgânicos em 10 milhões de hectares. "Há um mercado imenso a ser explorado e os agricultores familiares brasileiros têm as condições para se inserirem nele de forma consistente", afirma Arnoldo de Campos, coordenador de Geração de Renda e Agregação de Valor da Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Os números são confirmados pelo presidente do Sindicato dos Produtores Rurais Orgânicos do Distrito Federal, Joe Carlo Valle, para quem as discussões sobre a agricultura orgânica precisam ser estendidas a todos os setores da sociedade. "Precisamos fazer algo como o sistema de saúde, com capilaridade, a partir de reuniões municipais, estaduais e regionais, a fim de trocar experiências", defende. O mercado interno, não tão desenvolvido quanto o externo, já vem dando sinais de vitalidade. As gôndolas de produtos orgânicos não são mais uma raridade nas grandes redes supermercadistas brasileiras e a cada dia cresce a procura pelos produtos livres de agro-tóxicos nos grandes centros urbanos do País. Em Brasília, a consumidora Iara Josengler, por exemplo, destaca "o melhor sabor e as vitaminas, além da certeza de uma produção bem cuidada". E Rejane Verdana, também produtora, conta que já planta orgânicos em seu sítio, a 39 quilômetros da capital, mas para consumo próprio. "Vale a pena pagar mais pelo que ainda não tenho plantado, pois o retorno é grande para a saúde", afirma. Compra Neste ano, os agricultores brasileiros devem exportar US$ 115 milhões em produtos orgânicos, de acordo com dados da Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex). E o programa de Aquisição de Alimentos estima que até o final do ano mais de 100 mil famílias sejam beneficiadas nas modalidades de Compra Direta ou Compra Antecipada. Nelas os agricultores podem comercializar R$ 2,5 mil por família, mesmo que estejam reunidos em cooperativas. O Compra Direta permite que os agricultores familiares vendam seus produtos diretamente ao governo para que eles sejam utilizados nos programas sociais, como o Fome Zero, e no abastecimento dos estoques estratégicos. Já o Compra Antecipada permite que o agricultor venda sua produção, antes mesmo de plantar, por preços de mercado estabelecidos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Se no momento da colheita o preço de determinado produto for maior que o já pago, o agricultor pode optar por vender sua safra ao mercado.
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