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Economia e Negócios
01/07/2004 - 06h42
Ambiente antinegócios trava incubadoras
 
 
Presidente da Fundação ParqTec diz que preocupação excessiva do Governo com a macroeconomia faz com que as dificuldades do pequeno empresário sejam esquecidas.

"Estamos vivendo a ’paz do cemitério’ no Brasil, já que vamos completar a terceira década sem crescimento real. O debate sobre como crescer de forma sustentável apresenta somente propostas infantis e repetitivas, que se limitam a poucos ganhadores e milhões de perdedores", diz Sylvio Goulart Rosa, presidente da Fundação ParqTec - primeira incubadora de empresas de base tecnológica da América Latina.

Na opinião de Rosa, é preciso mudar a escala que mede os fenômenos econômicos para se incorporar a nanoeconomia. "Vivemos, investimos e empregamos dentro da nanoeconomia, onde os anões são as pessoas, os empresários e as incubadoras". E o que fazer para ganhar expressão? "O modelo de São Carlos prevê a articulação desses nanoagentes para sair do processo emburrecedor. Nossa proposta é legítima e está baseada na qualificação das pessoas, o que aumenta a competitividade das empresas e pode levar à verdadeira transformação".

As pessoas precisam ter acesso a informações descomplicadas para estruturar seus negócios e mais linhas de financiamento para investir em tecnologia e pesquisa. O acesso a associações e clusters permite ganhar força e representatividade, como também o acesso ao marketing como instrumento para impulsionar as atividades.

Na contramão do trabalho empreendido pelas incubadoras, altos impostos e ambiente burocratizado ainda impedem muitos talentos de se lançar na economia por vias legais. Estudo da consultoria americana McKinsey revela que 55% dos trabalhadores brasileiros são informais e 85% dos pequenos negócios não pagam impostos.

Os números vão de encontro aos dados do Global Entrepreunership Monitor (GEM), que, por sua vez, posiciona o Brasil como o sétimo país mais empreendedor do mundo. Com tanto empreendedorismo correndo nas veias, como explicar a tendência à informalidade?

"Temos de nos esforçar por oferecer um ambiente menos hostil e burocratizado para as empresas nascentes. São elas que podem criar novos produtos para atender às necessidades da sociedade, multiplicar postos de trabalho, pagar impostos. Esses empreendedores são o motor da economia", afirma Rosa.

O presidente do ParqTec aposta em um ambiente de negócios mais prático. "Mudanças na legislação tributária devem estender o Simples para mais categorias de empresas. Esse tipo de medida vai permitir que mais empreendedores deixem o ambiente de informalidade e passem a integrar a economia formal do país, pagando seus impostos e desfrutando de garantias."

Outra medida facilitadora - já utilizada nos Estados Unidos - é o sistema de abertura de empresas via correio. "Isso descomplicaria a vida do empreendedor que, muitas vezes, sente-se atrelado a um escritório de contabilidade e, conseqüentemente, a custos elevados", conclui Sylvio Rosa.


Fonte: Sylvio Goulart Rosa, presidente da Fundação Parque de Alta Tecnologia (ParqTec), de São Carlos (SP).

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