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A semana que passou muito se falou de setores da economia que se beneficiariam com a redução de impostos no país - IPI e ICMS - principalmente. Mas até que ponto isto é interessante para a economia? Segundo o tributarista Jeferson Nardi, da Trevisioli Advogados Associados, a redução de impostos é uma "faca de dois gumes". Num primeiro momento, o país como um todo, governo, indústria e trabalhadores, se beneficiam com a medida. O governo tem ganho de arrecadação. A indústria tem um aumento de produção e conseqüentemente cria-se um número maior de empregos. Mas a médio e longo prazo, isso pode representar uma queda de arrecadação sem que exista um reflexo direto no aumento de produtividade. "Tomemos como exemplo a cadeia automotiva. Vamos supor que um veiculo X, que antes custava R$ 50 mil, com um público comprador estimado em 50 mil usuários, tivesse uma redução de 5%. Num primeiro momento, todos da cadeia produtiva teriam ganho, visto que com a redução imediata de preços haveria um grande incentivo para a aquisição do bem. Mas, a médio e longo prazo, o mercado novamente se estabiliza, ou seja, a demanda pelo veículo passa a ser a mesma existente antes do incentivo. Aí voltaríamos na estaca zero. Ou seja, o governo teria que praticar a mesma política de impostos e a indústria reduzir a produção e os postos de trabalho que foram criados em função desse aumento de produtividade. Portanto, essa pratica de redução de impostos tem que ser analisada com muito cuidado. Determinados setores da economia, como o segmento alimentício, talvez tivessem ganho por um tempo maior, para todos os envolvidos, mas cada caso deve ser cuidadosamente analisado para verificar se o incentivo cria um crescimento real ou apenas um crescimento momentâneo e artificial" explica Nardi. Ainda segundo Nardi, a questão de redução de carga tributária no país, tem que começar com a reforma tributária que ainda não saiu do papel. A União, os Estados e os Municípios, batem recordes de arrecadação, comprometendo há muito o crescimento do país. Não é de hoje que a voracidade arrecadadora dos governos se sobrepõe aos interesses da sociedade de forma indiscriminada. Enfim, a promessa de se criar um sistema tributário mais justo, eficiente e que se traduza em crescimento de todos os envolvidos (governo, indústria e trabalhadores), ainda está longe de existir enquanto perdurar a dobradinha "ajustes das contas públicas X aumento da carga tributária".
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