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À medida que as campanhas se intensifiquem em todo o Brasil, os reflexos vão sendo sentidos no mercado gráfico. Mário César de Camargo, presidente da Abigraf (Associação Brasileira da Indústria Gráfica), acredita que o aquecimento do mercado provocado pelas eleições a serem realizadas em outubro e novembro deste ano repitam os índices de 2002, quando representou cerca de 4% a 5% no faturamento do setor. Camargo explica que as eleições municipais normalmente têm impacto maior porque, para muitos candidatos, representam a iniciação na carreira política. "Em tese, eleições municipais, que são o ponto de partida na carreira política, devem demandar, proporcionalmente, mais material gráfico do que as nacionais, que tendem para o uso da mídia eletrônica, da grande massa". Por outro lado, as campanhas são muito regionais e localizadas, concentrando o trabalho nas gráficas de pequeno e médio porte e por um período curto, de cerca de três meses - os que antecedem as eleições. Como as eleições serão em outubro e novembro, esse aquecimento está previsto para os meses de julho, agosto e setembro. O presidente da Abigraf acredita que esse fator sazonal influenciará pouca coisa no alto índice de capacidade ociosa do parque gráfico apresentado nos últimos dois anos, de cerca de 30%, mas que diante desse número, qualquer redução é bem-vinda. "As gráficas com maior índice de ociosidade são as que mantém mais de 100 funcionários e que investiram pesadamente na década passada, apostando em um crescimento econômico que ainda não ocorreu", afirmou. Empregos temporários Durante as últimas eleições, a Abigraf não registrou número significativo de vagas temporárias no setor. A força de trabalho está estabilizada na casa dos 200 mil empregos há cinco anos. Com tecnologia de ponta e mão-de-obra especializada, a indústria gráfica tem enfrentado o desaquecimento do mercado interno com a exportação. Em 2003, pela primeira vez em 10 anos, obteve superávit, que foi de US$ 73,7 milhões, contra resultado negativo de US$ 21,14 milhões em 2002. As exportações, que aumentaram 27% em 2003, contribuíram para que faturamento global do setor subisse 2,58%, totalizando US$ 4,53 bilhões.
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