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Cientistas, pesquisadores, estudantes e professores de todo o país já estão de malas prontas rumo a Cuiabá (MT), onde será realizada a 56ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), de 18 a 23 de julho, na Universidade Federal do Mato Grosso. A abertura do evento acontece na noite deste domingo. Na capital matogrossense, irão discutir ou simplesmente conhecer os resultados mais recentes de pesquisas e trabalhos, divulgar idéias, debater as políticas de ciência e tecnologia e propor metas e estratégias para o progresso da ciência no Brasil. O encontro "é dedicado às discussões dos grandes problemas do desenvolvimento científico e tecnológico nacional, as dificuldades e os grandes sucessos que alcançamos", esclarece o presidente da SBPC, Ennio Candotti. Outro objeto de debates são as questões próximas à realidade local, que este ano é Cuiabá. "Vamos discutir, por exemplo, o Pantanal e o ciclo das águas", explica. A expectativa é que oito mil pessoas participem. No maior encontro da comunidade científica da América Latina, todos os números são grandes. Serão apresentados 2.466 trabalhos em 44 conferências e 71 simpósios. Serão realizados 53 mini-cursos, doze encontros para atividades livres, sete assembléias-gerais dos sócios da SBPC e três seções especiais para entrega de prêmios. O tema central deste ano é "Ciência na Fronteira: Ética e Desenvolvimento". O número de ciclos temáticos aumentou em relação aos anos anteriores e agora são cinco: Desenvolvimento Científico e Tecnológico no Brasil, Pantanal e o Desenvolvimento Regional, Diversidade Sociocultural e o Estado Nacional, Ciência na Fronteira e Universidade Brasileira. As atividades Um dos principais assuntos em pauta é o avanço da fronteira de desmatamento no sul da Amazônia, sul do Pará e norte do Mato Grosso, uma área de "grandes conflitos sociais que está colocando em risco a Amazônia para dar lugar ao gado ou a soja em um processo que poderá se tornar incontrolável e ser uma real ameaça aos sistemas amazônicos", destaca o presidente da SBPC, Ennio Candotti, que é físico e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. A novidade será o "SBPC e a Ciência Indígena", que será realizado entre os dias 19 e 21 de julho, dentro da programação da Reunião. Os próprios índios irão dirigir 80% da sua programação, ministrando conferências, coordenando mesas e apresentando trabalhos. O objetivo é que o conhecimento indígena seja apresentado com o mesmo valor das pesquisas dos não-índios. "É um mini-encontro de debates das demandas e necessidades próprias indígenas, há regiões próximas de Cuiabá que são objeto de grandes conflitos", ressalta o presidente da SBPC. Haverá ainda atividades culturais, "que sempre são uma grande surpresa e animam os fins da tarde e as noites", salienta Ennio. Mas a arte também está presente nas conferências. Um exemplo curioso será a explanação sobre o enredo e a coreografia da escola de samba Unidos da Tijuca, vice-campeã do carnaval carioca deste ano com o tema "O Sonho da Criação, a Criação do Sonho. A Arte da Ciência no Tempo do Impossível". Entre as atividades paralelas, a Expociência reunirá, em vários estandes, os passos das empresas estatais e privadas que desenvolvem tecnologia. "Espero que os jovens de todas as regiões venham, posso prometer que a longa viagem terá valido a pena", salienta Ennio.
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