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Educadora aponta caminhos para desenvolver nos pequenos o prazer de ler.
O interesse pelos livros deve ser incentivado nos primeiros anos de vida, mesmo antes de a criança ser alfabetizada. É um papel que cabe aos pais e, em especial, à pré-escola. Do lado do mercado editorial, as publicações voltadas à infância se multiplicam e são cada vez mais convidativas, atendendo às necessidades das diferentes faixas etárias. Para bebês, já existem produtos que podem ser amassados, mordidos e até molhados. Para crianças a partir de três anos, há livros com desenhos de animais, heróis com superpoderes, cinderelas e outros personagens de contos de fadas. "O mais importante é a conscientização da importância do contato com os livros, mesmo em forma de brinquedo. E a leitura, uma das mais importantes ferramentas do desenvolvimento da criança, deve ser estimulada desde o início da alfabetização", afirma a educadora Lêda Nascimento. Essa tarefa, porém, que antes era realizada principalmente pelos pais, está mudando de mãos. "Os pais precisam dedicar cada vez mais tempo ao trabalho. Com isso, a criança acaba passando grande parte de seu dia na escola. A ela cabe a responsabilidade de incentivar e introduzir os pequenos nesse rico universo das letras", afirma a educadora, que dirige o Espaço Vivavida, centro de educação infantil da zona Sul de São Paulo. "É cada vez mais raro encontrar pais que possam reservar parte de seu tempo para sentar junto com o filho e participar desse processo de introdução no mundo cultural. Assim, a escola adquire papel fundamental na criação de novos leitores", diz Lêda. Para dar esse incentivo, a escola deve usar alguns recursos. "Uma sala climatizada, livros bem ilustrativos, variedade nos assuntos abordados, além de uma vasta coleção de contos e gibis, ajudam a estimular o hábito da leitura na criança", afirma a diretora da instituição. "Aqui no Espaço Vivavida, a leitura faz parte da rotina de todos os grupos. Para cada idade, o incentivo se dá de um jeito", conta Lêda. Para os mais novos, o gosto pela leitura é alimentado pelas caracterizações do autor do conto. "A interpretação do professor, a entonação da voz e a sua transformação em contador de histórias faz o pequeno viajar na imaginação, na fantasia. É isso que desperta o interesse para usar o livro como caminho de descobertas". Para os alunos em processo de alfabetização, a escola criou o "momento de leitura". "O professor vai com seu grupo para a biblioteca, escolhe alguns livros e os coloca no meio da roda. Cada criança escolhe o seu e lê. Em seguida, fala daquilo que leu. O resultado dessa atividade é que os alunos saem satisfeitos e compenetrados no seu papel de leitor e de contador", explica a educadora. Outra iniciativa do Espaço Vivavida é o incentivo à leitura em casa. Semanalmente, alunos são sorteados para levar um livro da escola. "Depois de dois dias, cada um conta a história lida aos colegas, ocupando um lugar especial, sentado em um trono e com uma capa em seus ombros. Esses recursos dão um clima de magia e cumplicidade ao ambiente, que é um atrativo para as crianças dessa idade", comenta a educadora. "A escola deve tratar o momento de leitura com muita seriedade, mas sempre mesclado com a fantasia, com o lúdico, com a brincadeira. Para uma aprendizagem saudável das crianças é necessário que esses aspectos estejam interligados ao conteúdo", conclui Lêda.
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