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Agricultura e Pecuária
26/07/2004 - 07h08
Bicudo acabou com o algodão no Brasil
Lana Cristina - ABr
 

O povo irlandês, segundo registra a história, quase desapareceu no século 19, quando a batata, o principal item da dieta no país, acabou por causa do ataque de um simples fungo. A fome assolou a Irlanda em 1840, depois que as lavouras de batata foram infestadas com o Phytophtora infestans, fazendo com que uma parte da população imigrasse principalmente para os Estados Unidos. Na América do Norte, irlandês era então sinônimo de "pobre" e "ignorante".

Este é apenas um exemplo do efeito que pode produzir a introdução de um organismo estranho a um ambiente, mas que encontra condições favoráveis para se propagar, e suas conseqüências nefastas, não só econômicas, mas também sociais. O trânsito dessas espécies, ditas invasoras, é cada vez mais comum num mundo globalizado e isso obriga os países a adotarem medidas de proteção sanitária do mercado agrícola. Por isso, as barreiras sanitárias, ainda que adotadas mediante caráter estritamente técnico, têm também um forte fator econômico.

Há o caso emblemático do Brasil, que passou do posto de um dos maiores exportadores de algodão, antes da década de 80, para o de maior importador depois da introdução do bicudo do algodoeiro, em 1982. O inseto causou grande impacto na economia nacional, com a destruição quase total de lavouras.

Hoje, depois de 20 anos, com a ajuda da pesquisa, o país voltou a exportar algodão, mas num volume ainda tímido em comparação aos números do passado. Medidas sanitárias adequadas, tomadas logo depois da entrada do inseto, teriam evitado que o impacto sócio-econômico fosse devastador, conforme destacou a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), Maria Regina Vilarinho.

O mercado mundial cresceu 28 vezes nos últimos 30 anos, segundo dados do Banco Mundial (Bird). Está computado nesse resultado o aumento da importação de produtos primários agrícolas e industriais, que subiu de US$ 55 bilhões em 1965 para US$ 482 bilhões em 1990. O poder de fogo do mercado agrícola dá a dimensão da necessidade com os cuidados sanitários. Nos Estados Unidos, por exemplo, entre 1906 e 1991, foram introduzidos 43 insetos exóticos, o que causou uma perda estimada em US$ 925 bilhões aos cofres públicos.

Os riscos não são apenas econômicos. Quando uma cultura é atacada por um inseto, fungo, bactéria ou vírus, a primeira atitude do produtor é usar mais pesticida e a conseqüência são solos e rios com mais resíduos químicos e trabalhadores rurais mais expostos a substâncias tóxicas.

Ainda que se leve em conta apenas o aspecto econômico, há especialistas em segurança biológica que alertam para a adoção de cuidados não só na importação de produtos agrícolas, mas também na exportação. Afinal, quando um país como o Brasil pretende aumentar suas exportações agrícolas, precisa ter bem estruturadas suas políticas de defesa animal e vegetal para conquistar e manter mercados.

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