|
O Governo arrecada no Brasil, por ano, cerca de R$ 650 bilhões em tributos, sem contar os encargos trabalhistas. Mas o que a grande maioria da população não percebe é que quem paga estes impostos, na verdade, não são as empresas, como muitos acreditam, e sim o povo, o consumidor. Todos os impostos e taxas acabam embutidos nos preços de qualquer produto ou serviço consumido no País. Hoje, de 35% a 60% do preço de qualquer produto ou serviço comprado, é imposto, taxa e encargo, ou seja, dinheiro que vai para o governo. "Quando a empresa repassa os impostos que paga para os consumidores, o preço sobe e o povo não consegue comprar. Como já é muito baixo o poder aquisitivo da população, nosso mercado,"encolhe" e não cresce mais na mesma proporção de antigamente. Se o povo não compra, a empresa não produz, fecha fábrica, e demite, e aí começa o problema", afirma Gilberto Guimarães, diretor do Grupo BPI do Brasil e presidente da ONG Amigos do Emprego. Esta situação, além de criar este desemprego estrutural, gera o medo de ficar sem trabalho, que é hoje, o maior medo da população. Este medo é tão prejudicial para a economia quanto o próprio desemprego. A primeira reação de uma pessoa com medo de perder o emprego, é parar de comprometer sua renda futura, ou seja, parar de gastar hoje o que ela vai ganhar amanhã. Quando se reduz as compras a prazo, a economia sofre uma grande parada, entra em recessão. "E voltamos, de novo, ao perverso círculo vicioso, menos consumo, menos emprego, mais medo", explica. Para dificultar ainda mais, pesquisas recentes mostram que a quantidade de "burocracia" para uma empresa funcionar cresceu de maneira assustadora. Nossa lei trabalhista é idêntica para as grandes e para as pequenas e micro empresas. Uma empresa, no Brasil, tem que se submeter a nada menos que 550 mil normas tributárias, além de 24 exigências legais para existir. "Assim, qualquer empresário desiste de abrir uma empresa, que, conseqüentemente, poderia gerar novos empregos", comenta Gilberto. A alta taxa de juros é um outro problema. Mesmo sendo necessária para evitar a volta da inflação, ela acaba inibindo dois fatores econômicos fundamentais. Primeiro, reduz o consumo a prazo e depois inibe os investimentos em produção ou construção. "Por que alguém haveria de investir nos riscos de um negócio, se ele pode aplicar seu dinheiro nos Bancos e receber, garantido, rendimentos a uma taxa de juros como a nossa?", questiona. "Contribuições exorbitantes e desemprego andam de mãos dadas na economia brasileira. Juntamente com os altos juros e a burocracia, formam um círculo vicioso que contribui cada vez mais para a desestabilização do País", conclui Guimarães.
|