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Pesquisas realizadas na FCF/RP mostraram que a Tabernaemontana catharinensis também apresenta uma ação contra células tumorais mais potente que algumas drogas usadas no tratamento de câncer.
Uma planta da América do Sul, conhecida como "leiteiro de vaca" (Tabernaemontana catharinensis), poderá se tornar uma importante ferramenta da Farmacologia por sua capacidade antiofídica e antitumoral. Compostos extraídos do extrato da planta mostraram-se capazes de inibir a letalidade do veneno da cascavel (Crotalus durissus terrificus) e demonstraram uma potente ação contra células tumorais. Os estudos foram realizados na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP. "Uma aluna relatou que a população rural da região de Assis (SP) costumava usar a raiz ralada do "leiteiro de vaca" como emplastro em mordidas de cobra e que esta solução caseira amenizava os efeitos do veneno. Resolvemos então testar cientificamente", conta a orientadora das pesquisas, professora Suely Vilela, do Departamento de Análises Clínicas, Toxicológicas e Bromatológicas da FCFRP e pró-reitora de Pós-Graduação da USP. Os pesquisadores injetaram doses letais do veneno da cascavel em ratos Wistar e, após 30 minutos, o extrato da planta também foi injetado. Em outro teste, veneno e extrato foram injetados juntos. De acordo com Suely, em ambos os experimentos, a Tabernaemontana catharinensis mostrou-se eficaz na inibição da letalidade. "A eficácia do último procedimento foi ainda maior, em relação ao primeiro", conta. O estudo foi o tema do mestrado de Maria de Fátima Batina Cardoso, na FCFRP. Segundo a pró-reitora, os pesquisadores conseguiram isolar e identificar o composto responsável pela inibição da letalidade. Estes resultados foram publicados na revista Planta Médica em 2000. Ação antitumoral Em um outro composto retirado do extrato de "leiteiro de vaca" foi constatada atividade antitumoral. Os testes in vitro utilizaram células tumorais humanas dos tipos SK- BR-3 e MCF-7 (adenocarcinoma de mama), JURKAT (leucemia T) e C-8161 (melanoma). O composto de T.catharinensis foi capaz de exercer potente atividade fitotóxica em todas as células tumorais testadas, mas não em leucócitos do sangue humano. "O efeito deste composto foi mais potente que o metotrexato e taxol, drogas usadas no tratamento de certos tipos de câncer", conta a pró-reitora. No entanto, o caminho para se chegar até um medicamento ainda é longo. "Por enquanto, sabemos apenas que não é o mesmo composto da atividade antiofídica. Precisamos continuar as pesquisas visando a determinação da estrutura da molécula e, portanto, a identificação do referido composto. A idéia é patenteá-lo e continuar os estudos no sentido de utilizá-lo, no futuro, como agente terapêutico". O estudo foi realizado pela pesquisadora Lucilene de Almeida, na FCFRP, com orientação da professora Suely. Um artigo sobre a atividade antiofídica e antitumoral do "leiteiro de vaca" foi publicado na revista Comparative Biochemistry and Physiology - Part C em janeiro de 2004.
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