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Educação
22/08/2004 - 14h24
A brincadeira na infância
Karen Kaufmann Sacchetto
 

"A brincadeira desenvolve aptidões físicas, mentais e emocionais. Uma infância estimulante, com brincadeiras apropriadas a cada etapa de desenvolvimento contribuem para a formação de uma personalidade íntegra e completa, fato que ocorre até os 6 anos de idade. Isso feito em um ambiente adequado e motivador estabelecerá a qualidade de experiências que serão vividas pela criança."

Sabemos que os humanos brincam desde os primórdios. Através de jogos e brincadeiras somos capazes de simular e exercitar situações do dia-a-dia, aprendemos a enfrentar desafios e a lidar com conquistas, derrotas, fracassos e sucessos. A socialização proporcionada dá a criança confiança em si e rendimento intelectual. O convívio com outras crianças da mesma idade proporciona experiências que a família não pode proporcionar.

De suma importância também, é trabalharmos com jogos cooperativos e competitivos, pois vivenciamos todo tipo de situação no cotidiano. Os jogos cooperativos desenvolvem na criança a sociabilidade e adaptação social e comunitária. Jogos e brincadeiras em equipe desenvolvem o altruísmo e capacidade de esperar e chegar a consensos, criando vínculos. Por outro lado é também muito importante a prática de jogos competitivos que ajudam a trabalhar conflitos e metas, outro aspecto comum na vida de qualquer pessoa.

A criança precisa aprender a lidar com frustrações, pois todos os dias vivemos essa situação diversas vezes. Tente planejar um dia minuciosamente com horários e atividades a serem cumpridas e realizadas e a forma como irá fazê-las. Ao final do dia reveja seu planejamento. Certamente grande parte delas não terá ocorrido como o esperado. Isso é frustração. Se não aprendermos a lidar com ela, desde pequenos, provavelmente nos tornaremos adultos intransigentes e insatisfeitos. A criança chamamos de "mimada". O adulto de presunçoso, "cabeça dura", teimoso... Jogos competitivos auxiliam a criança a lidar com a frustração e entender que não podemos ter tudo como e quando quisermos.

A brincadeira desenvolve aptidões físicas, mentais e emocionais. Uma infância estimulante, com brincadeiras apropriadas a cada etapa de desenvolvimento contribuem para a formação de uma personalidade íntegra e completa, fato que ocorre até os 6 anos de idade. Isso feito em um ambiente adequado e motivador estabelecerá a qualidade de experiências que serão vividas pela criança.

Situações lúdicas (do latim LUDUS = brincadeira, diversão, jogo) auxiliam a criança a lidar com sentimentos, contribuindo com o amadurecimento e colaborando para as decisões que tomará posteriormente na vida adulta.

Trocando experiências com o meio ambiente a criança torna-se ativa e criativa. Brincadeiras que utilizem os grandes músculos - correr, saltar, pular - desenvolvem a coordenação ampla e conseqüentemente a fina. Um esquema corporal bem desenvolvido dará independência dos membros em relação ao corpo e uma lateralidade bem definida.

Para trabalhar esse aspecto trabalha-se com jogos dirigidos (brincadeiras com regras e objetivos) de acordo com a faixa etária da criança.

Noções espaciais-temporais (ESPACIAL = à frente, atrás, em cima, embaixo, entre... TEMPORAL = Ontem, amanhã, daqui a pouco, daqui uma hora, dia, noite...) são muito importantes no domínio da escrita. Trabalhando com jogos que utilizem estes conceitos estamos colaborando para a aquisição e fixação de direção e posicionamento fundamentais na linguagem escrita. Estes jogos contribuem na percepção da seqüência correta das letras dentro de uma palavra. Por onde começá-la, terminá-la e o movimento correto das letras.

Há que se ser muito cuidadoso ao aplicar um jogo ou brincadeira. Eles devem ser escolhidos e pesquisados com critério e dedicação para que seu real objetivo não se perca. Para as crianças elas estarão brincando, recreando e divertindo-se. Mas o educador deve sempre ter em mente o objetivo a ser alcançado.

Através de brincadeiras podemos as diversas inteligências (teoria desenvolvida por Howard Gardner) e todos os aspectos - social, emocional, interpessoal, intrapessoal, corporal-cinestésico, lógico-matemático, musical, lingüística, espacial-visual, e pictórica. Bem planejadas e aplicadas, auxiliam a criança a despertar seus talentos.

Brincar não é brincadeira, é coisa séria.


Nota do Editor: Karen Kaufmann Sacchetto é pedagoga, diretora da Escola São Gabriel, São Paulo (SP).

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