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O secretário executivo do Ministério da Educação, Fernando Haddad, afirmou que a pesquisa Juventude e Sexualidade, realizada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), deverá auxiliar as políticas públicas educacionais destinadas aos jovens, adequando-se às diretrizes curriculares do ensino básico. A declaração foi feita durante o lançamento do trabalho, na manhã de ontem, 8, no auditório do MEC. A pesquisa, realizada com 16.422 estudantes de escolas de nível médio e fundamental entre dez e 24 anos, 4.532 pais e 3.099 professores, faz importantes revelações sobre o comportamento de jovens e adultos em 13 capitais brasileiras. No Recife, o percentual de adolescentes grávidas chega a 36,9%. Essa taxa cresce à medida que aumenta a faixa etária dos pesquisados, cuja média é de 16 anos. Em Fortaleza e Cuiabá, a faixa de idade de jovens gestantes diminui para 10 a 14 anos. A camisinha é o método de prevenção sexual mais difundido entre os entrevistados, chegando a 70%, e a maioria conversa mais com os professores sobre problemas sexuais do que com os próprios pais. Muitos jovens já sofreram violências, como assédios, estupros e discriminações. Cerca de 1/4 dos alunos afirma que não gostaria de ter um colega homossexual em sala de aula. O preconceito é maior entre os homens, que afirmam ter sua virilidade agredida na presença de homossexuais. Iniciação - A iniciação sexual dos jovens começa cada vez mais cedo: os meninos, aos 14 anos e as meninas, aos 15. Cerca de 70% dos adolescentes afirmam que só tiveram relação sexual com um parceiro, e, na maioria das capitais pesquisadas, 80% acreditam que não pode haver amor sem fidelidade. A ministra Nilcéia Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, disse que a pesquisa necessita de atenção específica, não apenas com relação à sexualidade dos jovens, mas no tocante à sua socialização. "Há muitas coisas a serem feitas, sendo importante trabalhar a escola e a família", frisou. A pesquisadora Mary Garcia Castro, uma das responsáveis pelo estudo, disse que uma das recomendações da pesquisa é o investimento em programas que considerem as desigualdades sociais e regionais. A implantação de um serviço de disque-denúncia no MEC e nas secretarias municipais e estaduais de Educação também é importante no combate à violência sexual que envolva jovens. Também coordenaram a pesquisa a professora Miriam Abramovay, da Universidade Católica de Brasília e vice-coordenadora do Observatório de Violência nas Escolas da Unesco, e Lorena Bernadete Silva, pesquisadora da Unesco. As capitais pesquisadas foram Belém, Cuiabá, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Maceió, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo, Vitória e o Distrito Federal. O trabalho contou com o apoio do MEC, do Ministério da Saúde, por meio da Coordenação Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis/Aids, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e do Instituto Ayrton Senna.
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