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Tecnologia consegue analisar, de forma mais rápida, barata e eficiente, nitritos e sulfitos presentes em alimentos industrializados. Técnica poderá ser usada em análises sangüíneas e ambientais.
Pesquisadores do Laboratório de Nanotecnologia Supramolecular (LNS), do Instituto de Química (IQ) da USP, desenvolveram um eletrodo capaz de quantificar, com maior eficiência e rapidez e a um menor custo, a presença de sulfitos e nitritos em alimentos industrializados. "Essas substâncias são bastante usadas na indústria alimentícia como conservantes ou para melhorar a aparência de embutidos, vinhos e sucos, mas, em excesso, podem fazer mal à saúde", explica o professor Koiti Araki, coordenador do estudo. O eletrodo desenvolvido no IQ é composto por um filme de nanomateriais (elementos cuja funcionalidade se reduz à escala nanométrica, ou seja, um bilhonésimo de metro, para atingir diferentes propriedades e aplicações) e funciona por meio da transferência de elétrons da substância a ser detectada para o nanomaterial. "A quantidade de elétrons transferidos é captada como sinais elétricos, que vão indicar se as concentrações de nitritos e sulfitos encontradas no alimento estão ou não de acordo com os padrões estabelecidos", explica Koiti. Segundo ele, as análises feitas com a tecnologia desenvolvida no LNS são significativamente mais ágeis em relação aos métodos existentes no mercado. "Além disso, o eletrodo de nanomateriais tem uma sensibilidade maior, ou seja, consegue detectar concentrações mínimas das substâncias", diz. "Os processos atuais oferecem resultados por meio da análise de cores, que variam conforme a concentração de sulfitos ou nitritos. Já os nanomateriais são mais precisos, pois analisam eletronicamente as substâncias, oferecendo valores numéricos." Males à saúde Quando em excesso, os sulfitos e nitritos são extremamente danosos à saúde. "A ingestão de grandes quantidades de nitrito pode provocar câncer", alerta Koiti. "O nitrito também reage com a hemoglobina, inutilizando-a, o que compromete o transporte de oxigênio pelo sangue e acaba matando células de órgãos e tecidos." Já os sulfitos podem desencadear reações alérgicas em pessoas sensíveis às suas características. Após terem patenteado a nova tecnologia, Koiti e sua equipe estão aumentando a utilidade do eletrodo de nanomateriais para que ele consiga detectar a presença de inúmeras substâncias, simultaneamente. "Além dos nitritos e sulfitos, nosso mecanismo já consegue ’sentir’ a presença de redutores, compostos que, acredita-se, combatem os radicais livres, responsáveis pelo envelhecimento do corpo humano." "Nossa pretensão é baratear e miniaturizar cada vez mais os mecanismo de análise e desenvolver um eletrodo de nanomateriais descartável", revela Koiti, cujo objetivo é tornar a nova tecnologia cada vez mais acessível, tanto para pequenas empresas como para utilização domiciliar. "Queremos que, um dia, os alimentos possam ser avaliados pelos próprios consumidores, com aparelhos portáteis. Assim, cada cidadão poderá monitorar a qualidade dos produtos que adquiriu e saber se aditivos ou outras substâncias potencialmente nocivas estão presentes em quantidades superiores aos recomendados."
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