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No próximo mês a Fundação Conrado Wessel publicará o regulamento da premiação de 2004 para a área de ciências, em suas diversas aplicações: geral; ao mar; ao campo; ao meio ambiente; e à literatura e à medicina. A Fundação oferece premiação individual de R$ 140 mil a cada categoria e a primeira etapa começará com a indicação dos participantes, que deverá ser feita por representantes de universidades federais, estaduais, de ministérios, de hospitais do câncer e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). "As informações serão disponibilizadas na revista Pesquisa, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), mas, já adianto que até março de 2005, a fundação estará recebendo as indicações de nomes de cientistas, pesquisadores e escritores brasileiros para concorrer", disse José Moscogliatto Caricatti, diretor financeiro da instituição. As indicações são analisadas pela Fapesp, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (Capes/MEC), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Academia Brasileira de Letras (ABL), e outros. Fundação - A Fundação Conrado Wessel foi instituída em 20 de maio de 1994. "Trata-se de uma entidade sem fins lucrativos que apóia a arte, a ciência e a cultura e beneficia as instituições que seu fundador, Ubaldo Conrado Augusto Wessel, designou. A vontade de criar uma fundação que lhe perpetuasse o nome consta em seu testamento", explicou José Caricatti. Os objetivos da Fundação são aportar recursos para utilização educativa, cultural e científica do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo, da Fundação Antonio Prudente, da Associação Escolar Benjamin Constant, das Aldeias Infantis S.O.S. Brasil, da Assistência e Promoção Social do Exército de Salvação e de uma entidade de amparo a crianças carentes sob escolha da diretoria. O fundador - Ubaldo Conrado Augusto Wessel nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 16 de fevereiro de 1891, e morreu em 24 de maio de 1993, aos 102 anos de idade. Era filho de Guilherme Wessel e Nicolina Wessel, de tradicional família alemã fabricante de chapéus em Hamburgo, que imigraram para a América Latina. Quando tinha um ano de idade, sua família mudou-se para Sorocaba, interior do Estado de São Paulo. Seu pai era físico e durante muitos anos lecionou na Escola Politécnica, no bairro da Luz, hoje Instituto Politécnico da Escola de Engenharia da Universidade de São Paulo (USP). Também apreciava fotografia e adquiriu uma loja de material fotográfico, onde instalou um atelier, na Rua São Bento. Conrado Wessel teve na influência paterna a vocação e o talento de inventor. Estudou em Viena, na K.K. Lehr und Versuchs Antstalt, onde obteve o mais avançado preparo em fotoquímica. Na Politécnica desenvolveu pesquisas por quatro anos. Fórmulas, tamanhos, reações, natureza do papel das fotos, testou tudo, paciente e teimosamente, tendo como parceiro o pai. Experiências - Voltou-se à busca de uma fórmula de papel que pudesse concorrer com as marcas então conhecidas no mercado, todas européias. Fez inúmeras experiências misturando o nitrato de prata ao brometo de potássio, ao cloreto de sódio e ao iodeto de potássio. Depois de centenas de experiências, chegou a uma fórmula satisfatória, cujas provas agradaram muito ao pai. Patenteou o seu processo em 1922, iniciou a produção e passou a distribuir amostras de cartão postal aos fotógrafos, especialmente no Jardim da Luz, local de passeio da burguesia da época. Os clientes registraram os resultados do Papel Wessel como superiores aos do papel importado. A demanda cresceu e tomou conta do mercado. Os fotógrafos da época passaram a desprezar o papel importado e a consumir o Papel Wessel. Os produtores do exterior se assustaram e buscaram adquirir a fórmula brasileira. Conrado Wessel fez uma sociedade com a Kodak, criando a Fábrica de Papel Fotográfico Kodak-Wessel no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, que ele dirigiu por vinte e cinco anos. Os lucros do trabalho lhe permitiram comprar quase 50 imóveis no bairro da Luz, região central de São Paulo. É a receita vinda desses imóveis - dentre eles um shopping center, do qual a fundação é cotista - que hoje lastreiam o patrimônio da Fundação Conrado Wessel.
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