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Os próprios pais dos alunos vão à escola, uma vez por semana, ensinar aos filhos e a seus colegas como se divertiam e como construíam os próprios brinquedos.
Às vésperas do Dia das Crianças, já em meio ao burburinho publicitário em torno de brinquedos de todos os tipos e preços, o projeto "Brincadeiras", conduzido junto ao Maternal 3 do Centro de Educação Infantil Algodão Doce, está mostrando aos pais e às crianças que brincar é preciso, mas gastar pode ser dispensável. Os próprios pais e suas memórias são os materiais didáticos do projeto que, realizado uma vez por semana, já se transformou em um dos momentos preferidos da garotada com idade entre 3 e 4 anos. "No início do ano convidamos os pais a pensarem em suas brincadeiras de infância e a agendarem um dia para virem ensiná-las aos alunos. A adesão foi tão grande que o projeto se entenderá até o final do ano", conta a professora Simone Torres. Assim, meninos e meninas da geração videogame estão aprendendo brincadeiras que nem imaginavam existir como, "jogo de botão", "chicotinho queimado", "passaralho", "boca de forno", "barra-manteiga", entre outras. Além disso, construíram brinquedos e descobriram que até o que jogavam no lixo poderia virar diversão. Por exemplo, para andarem de "pé-de-lata" aprenderam com um pai a confeccionarem o acessório com barbante e duas latas vazias tipo a de massa de tomate. O que parecia de fabricação sofisticada tornou-se simples como o jogo de botão, que um dos pais ensinou a fazer com cartolina e tampinhas de Gatorade. Os pais também vão à escola ensinar jogos de equipe de sua época, que estimulam o raciocínio e o equilíbrio, além reforçarem conceitos associados à disciplina como, construção e respeito às regras. "Essas brincadeiras são importantes para a construção do emocional da criança, pois estimulam a competitividade e ao mesmo tempo promovem o trabalho com a frustração quando se é derrotado", assinala a psicopedagoga que acompanha o projeto Valéria Vilela. O projeto "Brincadeiras" surpreendeu por provocar um diálogo diferente entre pais e filhos, no qual os filhos entrevistam os pais sobre fatos da infância deles. "Antes do pai ou a mãe apresentar a brincadeira, nos reunimos numa roda e as crianças podem perguntar para essa pessoa como ela brincava quando era pequena, o que fazia, onde morava, como era sua cidade. Logo de imediato, isso proporciona à criança uma comparação com os tempos modernos, quando ir ao cinema e ao teatro é rotina e os brinquedos eletrônicos não surpreendem com facilidade", explica a professora. Um dos exemplos citados pela professora para ilustrar a situação foi o caso de uma aluna de 3 anos que se indignou ao saber da mãe de um colega que na cidade onde ela morava quando criança não havia cinema. "Ela então concluiu assustada que aquela mãe não tinha assistido Shrek 2 quando pequena", relembra Simone. Outra aluna ficou muito assustada ao ouvir dizer que não existia McDonald na cidade da mesma mãe e perguntou como ela fazia para viver sem batatas fritas. Segundo Simone, a médio prazo, isso estimula o filho a continuar questionando o pai ou a mãe, mesmo em outros momentos em casa, estreitando os laços entre eles. "Hoje os pais têm pouco tempo e essas conversas foram ficando de lado. Agora, provocadas pelo projeto, as crianças insistem na conversa mesmo quando estão em casa e os pais dizem que estão adorando", comemora a professora. Algodão Doce - A Algodão Doce Centro de Educação Infantil foi fundada há 22 anos e é hoje referência em ensino para crianças de zero a seis anos. Integrada ao Grupo Base, privilegia a construção do aprendizado a partir de experiências concretas e interdisciplinares. Com 200 alunos, a escola estimula a cidadania através de ações sociais, conscientização e defesa do meio-ambiente, estímulo à reciclagem do lixo e projetos que desestimulam o consumismo.
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