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Ciência e Tecnologia
07/04/2004 - 10h29
Patente para "chocolate" de cupuaçu
Agência USP de Notícias
 
Com o pedido de patente em mãos, já é possível negociar a tecnologia do "chocolate" de cupuaçu. O fruto, da família do cacau tem bom potencial econômico e é mais saudável, pois tem menor teor de estimulante.

A Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP deverá patentear a tecnologia de fabricação do "chocolate" de cupuaçu (Theobroma grandiflorum), um fruto da família do cacau. Ao todo, seis produtos, entre "achocolatados" e "chocolates", constam no pedido de patente feito recentemente pela FCF.

A professora Suzana Caetano da Silva Lannes, do Departamento de Tecnologia Bioquímico-Farmacêutica, responsável pela pesquisa, trabalha com o desenvolvimento do chocolate de cupuaçu há seis anos. "Esse é um produto com grande potencial, pois o preço da gordura do cupuaçu, que entra na formulação do chocolate, custa cerca de um terço da gordura do cacau", afirma.

Além da vantagem econômica, o "chocolate" de cupuaçu também é mais saudável. Segundo a pesquisadora, essa fruta tem o teor de teobromina, substância com efeitos estimulantes como os da cafeína, bem menores que os do cacau. A diferença entre os teores das duas frutas é em torno de 85%. Além de diferenças com relação à cristalização.

Produtos

Foram desenvolvidas três versões de "chocolate": o meio amargo, o ao leite e o branco (que não leva a massa do cupuaçu, mas sim apenas a gordura). "As formulações foram acertadas para que os produtos finais tivessem consistência semelhante às dos chocolates tradicionais. A gordura de cupuaçu apresenta maciez bem maior que a manteiga de cacau, o que faz com que o produto sem o ajuste seja muito "mole", difícil de ser comercializado em países com clima tropical", explica Suzana.

Os produtos "achocolatados" de cupuaçu protegidos pela patente são o tradicional, o adicionado de cálcio e o dietético. A inovação é que as três variedades receberam um tratamento para torná-las instantâneas, ou seja, para que dissolvam assim que colocadas no leite. Os achocolatados do mercado, em geral, não se dispersam por completo e acumulam no fundo do copo.

"Daqui para a frente, vamos trabalhar o desenvolvimento de linhas industriais, com pesquisas para a produção de bombons e de sorvete, por exemplo", conta Suzana, que já foi consultada por empresas do ramo.

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