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No último domingo, enquanto ouvia a rádio Costa Azul (excelente trabalho, parabéns pessoal!) e recebia informações das mais diversas procedências, compreendi a precariedade das comunicações em Ubatuba e quanto isso precisa mudar. Primeiramente pensei em informar o andamento da apuração a partir dos dados oficiais do TRE, porém isso não aconteceu como era esperado, só foi fornecido o resultado final. Assim, quando estavam apurados 42,24% dos votos, às 19h15, coloquei no ar o primeiro boletim informativo, depois de levar uma justa reprimenda de uma leitora que aguardava ansiosamente. Nesse momento Paulo Ramos liderava de forma apertada. A partir desse momento, o número de acessos do UV começou a crescer e então compreendi que para uma vasta região da cidade o UV e o "Guaruçá" eram as únicas fontes de informações, já que o alcance da rádio é limitado. Exatamente nessas regiões carentes de notícias, deu-se a derrota de Paulo Ramos. Era obviamente previsto que no Sertão da Quina e na Maranduba as coisas seriam difíceis para o prefeito, mas o que se viu foi um massacre. Pedro Tuzino ganhou com boa margem nessas localidades ficando Eduardo César em segundo e Paulo Ramos em terceiro com uma votação muito abaixo da que obteve em outras regiões. Faltou ao atual e futuro ex-prefeito a capacidade de ouvir os anseios das ruas, o pessoal da Maranduba queria ser ouvido, queria expressar suas angústias, seus problemas. Não aconteceu, foram ignorados, deixados para segundo plano. Tenho a mais absoluta certeza que se Paulo Ramos tivesse dedicado parte do último ano fazendo política na região Sul, teria vencido com larga margem de votos. Os políticos, em certas situações têm de assumir papéis diversos, de psicanalistas, de padres, de pastores. Ainda que faltem condições para ações materiais, pelo menos que seja dado apoio espiritual aos que dele necessitam. Uma palavra amiga, de conforto e esperança, tem um valor inestimável. Políticos devem entender que transcendem aos mortais comuns, é deles o poder de mudar as vidas das pessoas. Como os deuses do Olimpo Grego são venerados pelos humildes. Nunca devem esquecer isso, sob pena de amargar o ostracismo, o inferno dos homens públicos.
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