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Agricultura e Pecuária
07/10/2004 - 07h20
Técnica aumenta a eficiência reprodutiva do gado
Agência USP de Notícias
 
Usando estrógeno e progesterona, pesquisadores da FMVZ controlam o ciclo reprodutivo da vaca. Sabendo a hora exata em que ocorre a ovulação é possível sincronizar a inseminação artificial e garantir maior produtividade.

No Brasil, uma vaca dá a luz, em média, a um bezerro a cada dois anos. Com uma nova técnica desenvolvida na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP é possível aumentar esse índice para um bezerro por ano. A equipe de pesquisadores coordenada pelo professor Pietro Sampaio Baruselli criou um método que possibilita saber a hora exata em que ocorre a ovulação.

"O Brasil é o maior exportador de carne bovina, mas se não tomar alguns cuidados corre o risco de perder sua posição no mercado", explica Baruselli, justificando a necessidade de o setor pecuário investir em produtividade, melhoria genética e sanidade. A técnica desenvolvida na FMVZ vem de encontro a essas questões, tanto por aumentar a quantidade e a qualidade dos bezerros produzidos, como por facilitar a inseminação artificial e, conseqüentemente, a melhoria dos padrões genéticos.

O sistema atende as necessidades do nosso rebanho, formado por zebuínos (Nelore, Gir, Guzerá), raças mais resistentes e adaptáveis a climas quentes. O rebanho de países tropicais é diferente. Na Europa e nos EUA, são estudadas outras técnicas de reprodução, pois a maior parte do rebanho é de taurinos (vaca Holandesa, Simental, Limousin). "A fisiologia é completamente diferente e as técnicas desenvolvidas lá fora são pouco úteis para o nosso gado", conclui Baruselli.

Atualmente, apenas 6% das vacas brasileiras são inseminadas artificialmente. Uma das dificuldades em realizar a inseminação é descobrir quando é o período do cio. "Pelo fato de a pecuária brasileira ser extensiva, o rebanho fica espalhado pelo pasto, disperso, sendo complicado observar todas as vacas para saber quando é o cio", explica Baruselli. Hoje, é preciso ter um funcionário única e exclusivamente para observar as fêmeas e descobrir o período ideal para a reprodução. "Por mais treinado que seja o funcionário, e esse não é o nosso caso, muitos cios são perdidos", conta o professor.

Outro fator que influencia no ciclo reprodutivo é a alimentação à base de pasto. "Uma vaca bem nutrida ovula 60 dias após o parto, mas o pasto nem sempre fornece uma boa quantidade de nutrientes, varia de acordo com o clima, o solo", descreve Baruselli. "Nessas condições, a vaca acaba ovulando de 6 a 8 meses depois de parir".

"Pílula invertida"

Com a nova técnica, é possível induzir a 60 dias depois do parto. O ciclo reprodutivo das vacas é de 21 dias e a gestação de nove meses e meio (285 dias). Baruselli explica que "se durante nove meses e meio do ano ela está em gestação, sobram 80 dias para ela voltar a emprenhar, caso contrário não será possível produzir um bezerro por ano".

Para resolver esses problemas, a vaca é induzida a ovular por meio de um controle hormonal. "É bom ressaltar, que a quantidade de hormônio usada é a mesma que uma vaca produz naturalmente em condições de pecuária intensiva, bem nutrida", conta o pesquisador. São usados progesterona, em forma de implante, e estrógeno injetável. "É como se fosse uma pílula ao contrário, pois o objetivo é incentivar a concepção e não impedi-la".

A progesterona controla a produção e o crescimento do folículo e o estrógeno controla a ovulação. "Dessa forma nós sabemos o momento exato da ovulação, pois a induzimos, daí é só inseminar a vaca". As taxas de prenhez (número de animais gestantes) atuais em programas de inseminação artificial variam de 20% a 40%. Com a indução, essa taxa pode chegar a 75% do rebanho. O implante é colocado na vaca e verifica-se o crescimento dos folículos nos ovários, depois, ele é retirado e se aplica o estrógeno, que faz o folículo ovular e liberar o óvulo. A pesquisa foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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