Um banco de dados, não passa de uma reunião de códigos que pode, por meio de seu processamento e sua organização, trazer ao usuário diversas mensagens, possibilitando o entendimento do conteúdo. Analogicamente, os dados estabelecem um sentido estático, mas precisam estar estruturalmente organizados de modo a expor uma informação. Se por exemplo, em um banco de dados existirem três tabelas distintas, SUBST_FEM, PREP_CONJ e SUBST_MASC, os valores "cruz", "com" e "ponto", respectivamente, possuem sentidos próprios, mas para o usuário são apenas composições de tabelas. No entanto, se houver uma programação que resulte no agrupamento de tais códigos "com” “ponto” ”cruz", temos então, uma formação semântica que faz sentido no mundo conceitual, trata-se de uma "forma de bordar". É nesse cenário que os dados deixam se ser meros códigos e passam a ser informações. E isso é a base da construção para o conhecimento, ao contrário do que se pensa, informação não é conhecimento. O conhecimento distingue da informação por estar extrinsecamente ligado a conceitos. A informação está ligada à semântica, que se refere ao estudo do significado das palavras, o conhecimento está ligado à pragmática, que estuda a linguagem no contexto de seu uso na comunicação. Voltemos então para o nosso exemplo. O valor "ponto" não agrupado a nenhum outro código pode ter até quarenta significados de acordo com qualquer dicionário da língua portuguesa; se um usuário se deparar com o valor "ponto" em uma tela de computador em branco, ele pode remeter vários significados para aquele valor. No entanto, se o valor "ponto" vier intercalado aos dos outros terá como resultado uma informação: "cruz ponto com". Até esse estágio, o usuário teve acesso a uma informação, cabe a ele aplicar sua competência pragmática em prática para efetivamente inserir a informação adquirida em um contexto. Sua competência depende até certo ponto, das suas experiências que fazem dessa informação tudo ou nada. Ora, se estivermos falando de um senhor nonagenário que jamais tenha ouvido falar em internet, a informação não deixará de ser apenas uma informação, no entanto, já se falarmos de um garoto que nasceu na era globalizada, logo interpretará a informação transformando-a em um endereço de internet adicionado ao prefixo "www". A informação é transformada em conhecimento! É claro que, essa mágica não acontece caso a ferramenta não possua uma certa coerência pragmática. Quando se desenvolve uma ferramenta é preciso pensar nas hipóteses que os agrupamentos de códigos podem gerar, todas as alternativas devem ser consideradas até chegar à seqüência de atos corretos. Esse processo nada mais é do que uma cadeia na qual os dados são preciosamente uma matéria prima bruta que através de operações lógicas, é gerida de modo a formar informações. Essas que por sua vez são lapidadas por meio de interpretação para resultar em conhecimento. Mantendo a premissa de que as informações são resultados de operações lógicas e que sem interpretação o conhecimento não se faz, o extremo dessa cadeia é dependente de catalisadores (hipóteses, teses, teorias e leis) provenientes daquele que está sujeito à informação, o usuário. É óbvio ululante que a fabricação de uma ferramenta tecnológica deve levar em consideração o tipo de usuário da ferramenta, já que, prevendo-se a reação gerada pelos catalisadores comumente utilizados por um determinado grupo social pode-se efetivamente chegar ao extremo muito mais facilmente. Suponha que estejamos fabricando uma ferramenta fiscal na qual é possível contabilizar impostos devidos ao Governo Federal, se a ferramenta trouxer como imposto devido a informação “y”, o usuário que não possuir experiência nas diversas formas de representação numérica não conseguirá transformar a informação em conhecimento. Uma ferramenta que não leva em consideração o tipo de usuário que vai utilizá-la é uma ferramenta vazia que não faz sentido algum no mundo conceitual. O fato é que, desenvolver uma ferramenta é uma tarefa por si só árdua já que não possui propósitos. E ao contrário disso, desenvolver uma ferramenta eficaz que traz ao usuário informações passíveis de serem transformadas em conhecimento quando aliadas à experiência de mundo que ele já possui, transforma-se em uma tarefa espontânea, pois se pressupõe que seus propósitos foram previamente estabelecidos. Eis que surge a grande questão: o objetivo é desenvolver espontaneamente uma ferramenta focada no usuário ou pelejar para desenvolver uma ferramenta sem propósitos? Nota do Editor: Priscila Bracale é redatora técnica da área de documentação de softwares da Sonda Procwork (www.sondaprocwork.com.br).
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