O tema que as pessoas mais tem discutido atualmente é a possível alteração das regras da poupança em estudo pelo governo. Como explica a consultora em Saúde Financeira Suyen Miranda, há muito desconhecimento que gera insegurança. "Mesmo que as alterações propostas vigorem nada irá tirar o interesse do investidor pela poupança, pois as mudanças afetam pouco quem tem valores até R$ 50 mil", explica. As questões mais ouvidas atualmente sobre o tema são respondidas aqui pela consultora, que pesquisa Saúde Financeira há cinco anos tanto no Brasil quanto Portugal e Angola. 1. Em 1990 ficou o trauma da poupança. Podemos comprar esse fato com o que está acontecendo hoje? R: Não, pelo contrário; na época houve um bloqueio de todas as contas, e atualmente a poupança está remunerando bem melhor do que os fundos de investimento pelo fato que sobre ela não há incidência de imposto de renda. A poupança tem sido, nos últimos 12 meses, uma das melhores opções de investimento tanto para quem tem pequenas quanto grandes reservas. 2. Com as novas mudanças na caderneta de poupança, ela continua sendo a melhor opção para investir nosso dinheiro? R: Sim, porque se as mudanças forem aprovadas elas irão incidir sobre os investimentos de valor superior a R$ 50 mil. Outro detalhe é que a regra de "evitar colocar todos os ovos na mesma cesta" também se aplica aos investimentos, portanto é bom diversificar quando temos valores acima de R$ 50 mil. Mas a poupança é e no longo prazo continuará sendo uma excelente alternativa tanto para quem tem pouco quanto para quem tem muito, pois é uma boa opção para diversificação de uma carteira de investimentos. 3. Por que o rendimento da poupança é tão baixo? R: O rendimento da poupança e mesmo de outros investimentos não pode ser considerado baixo; o que ocorre é que muita gente ainda tem memória de um período inflacionário onde valores como 3% ao mês pareciam normais, o que é uma inverdade. Hoje a média tem sido entre 0,56 e 0,75%, o que é bastante competitivo já que a economia está em estabilidade, com taxa anual de juros inferior a 10%. Outro detalhe é que o recurso da poupança é o esteio da maioria dos investimentos em imóveis e no setor produtivo, áreas que apresentam ascensão e tem sido foco da política econômica seu crescimento; daí o dinheiro investido é garantido e tem retorno. 4. Este novo limite de R$ 50 mil poderá ser ajustado com o tempo? R: O estudo do governo sobre a viabilidade da mudança da tributação ainda tramita, portanto qualquer mudança acontecerá somente no segundo semestre refletindo em 2010. Por ora o valor de R$ 50 mil é o que será aceito, mas como a economia se modifica conforme o cenário de negócios é cedo dizer quanto a mudanças. 5. Em épocas de crise, acontece um aumento dos investimentos na poupança? Essa medida de tributar é para evitar essa migração? R: Normalmente momentos críticos estimulam as pessoas a gastar em itens considerados "investimentos garantidos", como imóveis. A poupança normalmente se mantém estável, mas os investimentos de maior risco, como ações e seus fundos, tendem a sentir uma retração. É importante lembrar que a economia atual está bem distante de um quadro crítico, que impulsione mudanças drásticas na economia. 6. Qual a confiança que podemos ter de que a poupança ainda é segura? R: A poupança remunera a perda da inflação, que é a correção monetária, mas paga dividendos que compõem algo como 0,7% ao mês. O detalhe é que a poupança valida o sistema econômico atual, pois é quem fomenta os empréstimos de longo prazo para os setores produtivos. Portanto, qualquer movimentação que a comprometa certamente o governo não irá propor. Considere que hoje vivemos em momento de estabilidade financeira, portanto qualquer rendimento que ajuste a perda inflacionária (montante anual de inflação não supera 10%, importante!) é significativo. O brasileiro se acostumou com números grandes, mas em países equilibrados, como o Brasil está atualmente, as taxas dificilmente chegam a mais de 0,8%.
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