A ventania estremece os alicerçares Dos muros, das casas, das favelas. Entra sem pedir licença, Invade nosso mundo com gulodice de vida urgente. A ventania refresca os ambientes deixando leve o ar, Fazendo-me pensar no que deixei para hoje, ontem; No que perdi nos ventos sem me dar conta desse agitar De vida muda. As pessoas mudam as casas. Com a ventania, as pessoas tornam-se mais gente, Mais fragilizadas e mais bonitas. A ventania limpa os poros dos pulmões, Inflando o peito do desânimo, buscando do fundo do ser, As cicatrizes sem dono. A ventania é uma vida que não é nossa; É um exalar de energia que nasce Não se sabe de onde e nem como. No íntimo, a ventania é a indisciplina que não cometemos, É o querer levitar, é aspirar a própria vida.
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