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Educação
23/06/2009 - 17h01
A revolução que poucos veem
Ben Sangari
 

No dia 04 de junho, a edição impressa da conceituada revista The Economist publicou uma extensa reportagem sobre a situação das escolas públicas no Brasil, classificando-a como "lastimável". Segundo a revista, os estudantes brasileiros estão entre os últimos colocados nos testes promovidos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os sindicatos de professores sabotam toda tentativa de melhoria do ensino e a maioria dos professores falta 30% dos dias de trabalho.

Ignorar que a Educação no Brasil tem sido escamoteada há séculos seria insensatez. No entanto, o que a revista inglesa não conseguiu notar é que há, sim, uma revolução silenciosa em curso no país, que está criando as bases para mudanças significativas no que diz respeito ao modo como as crianças são educadas em nossas escolas públicas e privadas.

O primeiro sinal de que vivenciamos uma mudança importante está no fato de que, segundo pesquisa promovida pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a qualidade da educação já é a principal preocupação da sociedade brasileira. Esse dado é decisivo pois, como sabemos, quando as coisas se tornam importantes para a população, rapidamente surgem as soluções econômicas e políticas para os problemas.

E as soluções políticas e econômicas já estão em curso. Muitos governos municipais já detectaram que, para muito além de investimentos em infra-estrutura, o salto qualitativo que a Educação precisa dar só acontecerá por meio da adoção de novas metodologias de ensino, capazes de envolver os estudantes em uma era onde a a informática e a tecnologia fazem parte do dia-a-dia de toda criança.

No Distrito Federal, por exemplo, em uma ação inovadora, a Secretaria de Educação promoveu uma ampla reforma na maneira como mais de 7.000 professores ensinam Ciências a crianças do Ensino Fundamental, uma ação associada a investimentos em material didático diferenciado e, principalmente, formação de professores que adquirem os conhecimentos necessários para o ensino por meio de metodologias que fazem do aluno o centro dos acontecimentos. É o fim das aulas expositivas e, acreditem, ninguém sentiu saudades.

Em Amparo, no interior de São Paulo, a Secretaria Municipal de Educação empreendeu a mesma mudança, ampliando, gradativamente, as séries de alunos que passaram a receber aulas de Ciências renovadas, que começam sempre com uma pergunta que os alunos vão respondendo aos poucos, com base em experimentação, raciocínio lógico e trabalho em equipe.

Esse mesmo caminho vai sendo percorrido por várias outras prefeituras, além de centenas de escolas particulares que, com o apoio decisivo de seus corpos docentes, vão reformulando a maneira como se leva educação de qualidade para crianças que já vivem no novo mundo das redes, da comunicação instantânea e do intercâmbio social.

No entanto, essa revolução silenciosa precisará, ainda, superar algumas armadilhas para se tornar decisiva nas mudanças sociais que o país precisa empreender. Corremos o risco, aqui, de limitar os benefícios das novas metodologias de ensino àquelas escolas ou prefeituras que reúnam condições de investir em tecnologias educacionais atualizadas, relegando as demais aos problemas crônicos que a The Economist soube tão bem apontar, o que significaria um "apartheid" educacional.

O governo da Argentina, por exemplo, um país com padrões educacionais entre os melhores da América Latina, tomou a decisão de adotar novas soluções educacionais de modo abrangente, revelando a noção exata de como mudar uma realidade educacional para melhor: inovação nos processos de ensino e aprendizagem e uma ação com escala nacional.

O Brasil já iniciou o caminho rumo a uma Educação de qualidade para toda a sociedade. No momento, estas experiências ainda estão limitadas em abrangência, mas é uma questão de tempo - pouco tempo - para que se revelem como os principais motores da revolução educacional que precisamos empreender. A favor do Brasil há fatos incontestáveis: além dos alunos, que demandam novos métodos de aprendizado, os professores brasileiros também anseiam por novos modelos educacionais por meio dos quais possam exercer sua atividade com eficácia e o reconhecimento que merecem.


Nota do Editor: Ben Sangari é Presidente da Sangari Brasil (www.sangari.com), empresa que desenvolveu o Programa Ciência e Tecnologia com Criatividade (CTC), adotado por mais de 800 escolas públicas e privadas, para mais de 410.000 alunos em 18 Estados brasileiros, além de 62 escolas públicas da Argentina, para mais de 5.000 alunos.

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