Há algumas décadas, o diploma de uma boa faculdade bastava para que o recém-formado encontrasse uma oportunidade de emprego. Geralmente surgia mais de um convite e o novo profissional optava pela melhor colocação ou remuneração. Hoje o cenário é outro, cheio de condições adversas para quem pretende ingressar no mercado de trabalho sem experiência profissional: crise internacional, corte de gastos e competitividade. Uma das saídas encontradas pelos jovens é o investimento no empreendedorismo – termo que nasceu na França, entre os séculos 17 e 18 e deriva da palavra “entrepreneur”, que significa “aquele que realiza”. Segundo pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor, o jovem brasileiro é o terceiro mais empreendedor do mundo, em um ranking de 43 países estudados. No Brasil, do total de empresários, 25% são novos empreendedores, atrás somente do Irã (29%) e da Jamaica (28%). Esses números poderiam ser ainda maiores se as escolas brasileiras estimulassem a cultura do empreendedorismo entre os alunos. As grades curriculares não estão adequadas à realidade do trabalho. Em um estudo da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Fierj), realizada com estudantes do ensino superior, 73% disseram que não sabiam como obter um financiamento bancário, 57% desconheciam que muitas universidades contam com incubadoras de empresas – uma eficiente alavanca para iniciar o próprio negócio – e a maioria nunca discutiu em sala de aula cases de sucesso de empreendedores. Claro que o aumento de jovens à frente dos negócios é um dado bastante positivo. Eles aprendem rápido a anteciparem os problemas, são criativos ao apresentar soluções e não têm medo de ousar. Abrir uma empresa, para esses jovens, foi a maneira encontrada para fugir do desemprego e construir uma carreira de sucesso. Como empreendedores, eles criam suas próprias vagas, além de novos postos de trabalho para terceiros, participando ativamente do desenvolvimento do país e da melhoria da empregabilidade. Com um histórico de 45 anos de inserção de jovens no mercado de trabalho, o CIEE sempre defendeu a necessidade de estimular o espírito empreendedor dos estudantes, oferecendo gratuitamente palestras e cursos de Educação a Distância que trabalham esses conceitos, que infelizmente estão ausentes nas escolas. Por isso, o CIEE também defende o estágio como modalidade para transmitir a cultura empreendedora nos jovens. Os conhecimentos adquiridos nessa fase do processo educacional podem ser a porta de entrada para um futuro de liderança e dedicação no mundo dos negócios, seja no comércio ou na indústria. A oportunidade de vivenciar na prática experiências que os estudantes terão mais à frente servirá sobremaneira para a formação profissional, encorajando-os a tentar, fazer e agir. O otimismo dos números da pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor mostra que o Brasil caminha para uma vida cada vez mais próspera. Talento não falta. O que precisamos é incentivar e criar condições suficientes para que, cada vez mais, os jovens se sintam seguros para ousar. Nota do Editor: Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e diretor da FIESP.
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