Olho aonde vou. Só olho, não me movo, sou peso além das medidas, restos de festa pelo chão - muitos restos, pouco chão, nenhuma festa. Trepadeira em flor que seca o tronco hospedeiro, suga a seiva com lascívia, ciente da morte adjacente, sedenta de prazeres breves pra encher os minutos lotados de segundos a cada segunda-feira. Carpe diem transverso, bateria fora do tempo que segura o beat de uma trance orquestrada, violinos de fim de filme, êxtase da apoteose, meiose de câncer, contrato a termo. Não olho mais, de semblante cerrado invado seus varais. Por que azuis são as paredes da casa de Deus e eu ainda me sento no batente do quintal contemplando os lençóis divinos a bailar suas rendas diáfanas pelo ar liquefeito, em linho tramado a ouro e prata e mil sóis secando os olhos que só vêem, observam trilhas para lugar nenhum. Eis que de nenhuma opção brotará a cura, pois não há Band-aid pra cobrir a chaga purulenta e embaraçante - como se fora uma escolha.
|