Tenho mencionado repetidamente em consultorias, cursos, palestras e artigos que a ISO 9001 (e outras normas similares) são ricas em conceitos sobre gestão e escritas por gente muito inteligente. O problema é o que algumas empresas fazem com elas, apoiadas por certificadoras desqualificadas e consultorias de terceira linha. Um dos processos fundamentais demandado por estas normas é a AUDITORIA INTERNA. Muitos executivos simplesmente toleram ou desprezam este processo. Consideram-no “uma exigência da ISO”, por mais ridícula que possa parecer esta frase. Para presidentes, acionistas e diretores realmente não interessa se as não conformidades aconteceram nos requisitos 4.2.3 ou 8.5.3 ou se são não conformidades maiores ou menores. Esta linguagem simplesmente não tem qualquer vínculo com o dia-a-dia das organizações. Já encontrei profissionais “revoltados” nas empresas que me afirmaram: “Mubarack, mas eles (os executivos) deveriam se interessar, você não acha?”. Não, não acho. Eles são os clientes, estão pagando por esta atividade e precisam recebê-la na linguagem deles, ou seja, na linguagem do mundo dos negócios. Sugiro que na capa de um relatório de auditoria interna seja colocado o quanto vale aquele relatório, algo do tipo “este relatório, se resolvido, reduz o custo da empresa em um milhão de reais”. Duvido um empresário ou um executivo não ser sensível a este número. Algumas empresas me dizem que não é fácil estimar o quanto vale em moeda cada não conformidade. Se a estimativa é difícil, é sinal que a não conformidade pode ser “uma porcaria”, ou seja, algo que não tem qualquer impacto na empresa. “Mas não precisamos anotar pequenos acabamentos e pequenos erros nos procedimentos?”. Claro que precisamos, mas como uma lista anexa, lá no final do relatório de auditoria. Nas páginas iniciais, apenas o que realmente afeta o negócio da empresa, especialmente com impacto financeiro. Se uma empresa não tem auditores ou uma área da qualidade capaz de identificar este tipo de não conformidade, então que trate de ter, contratando serviço externo e/ou formando seus próprios auditores. Auditoria é um processo vital, assim como um checkup. Frequentemente, encontro empresas onde o sistema de gestão (ou seja, o método utilizado para o atingimento de resultados) está se deteriorando e o pessoal fica dando desculpas e mais desculpas, atribuindo a causas externas o fracasso. Às vezes, cortam o café, mas não prestam atenção ou não fazem bem feito o serviço de auditoria interna. Lamentável falta de profissionalismo. Sempre oriento, no início do processo de implantação do sistema de gestão, que pessoas da própria empresa, independente de suas atividades, sejam treinadas em auditoria. Mais adiante, na parte avançada do sistema, precisaremos de alguns (depende obviamente do porte da empresa) auditores profissionais, dedicados em tempo integral à auditoria. Se você, executivo, acha que sua empresa é muito pequena para comportar auditores full-time, contrate serviço externo de auditoria em gestão. De uma forma ou outra, não desperdice a valiosa contribuição que a auditoria pode deixar para sua empresa. Não a menospreze e não tenha medo, esteja sempre auditando. Somente não tolere o que é hábito em muitas companhias: auditorias internas ridículas, que mais parecem gincanas ou brincadeiras de gato e rato, sem terem qualquer relação com os lucros. Nota do Editor: Paulo Ricardo Mubarack (www.mubarack.com.br) é presidente da Mubarack Consulting & Business School.
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