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Política
01/11/2004 - 09h48
Bush ou Kerry: quem é melhor para o Brasil?
Lorena Nogaroli e Claudio Stringari
 
Especialistas brasileiros avaliam prós e contras do futuro presidente americano.

Alguns estados norte-americanos já iniciaram a votação para a presidência. É inquestionável que o processo de eleições nos Estados Unidos é importante para todo o mundo, afinal trata-se da maior potência bélica e econômica do planeta. Com apenas 4,6% da população mundial, os americanos detêm quase 1/3 do PIB de todo o mundo. O Brasil, em particular, tem especial interesse neste que é o seu principal parceiro comercial. Dos 73 bilhões de dólares de exportações brasileiras realizadas em 2003, os EUA foram responsáveis por 23%.

Os principais problemas enfrentado pelo Brasil na relação com os Estados Unidos dizem respeito à sobrecarga de impostos agrícolas, a definição da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), questões relacionadas à imigração e ao meio ambiente. Nesses quesitos, Bush parece ser a melhor alternativa - já demonstrou estar disposto a renegociar as questões econômicas, acelerando o processo da Alca.

Mesmo assim, uma pesquisa divulgada recentemente pela revista Exame revela que quase 60% dos eleitores do Brasil declararam que votariam no senador democrata John Kerry - George W. Bush obteve apenas 14% das intenções.

Na opinião da coordenadora do curso de relações internacionais das Faculdades Integradas Curitiba (FIC), Ângela Moreira, "Bush é um descontrolado que passa por cima das regras internacionais". Segundo ela, "o mundo está vivendo um período negro do direito internacional".

O professor do ISAE/FGV (Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getulio Vargas), Eugênio do Carvalhal, acrescenta que o partido democrata de John Kerry tem uma visão multilateral no âmbito da política internacional. "No tocante aos órgãos internacionais (OMC, ONU, Alca etc.), Kerry tem maior tendência a agregar outros países da América Latina", explica.

Em relação à política anti-terrorista - uma das maiores preocupações mundiais -, o cientista político Carlos Luiz Strapazzon (coordenador de pós-graduação, pesquisa e extensão das Faculdades Integradas Curitiba) acredita que os democratas têm tendência para dividir o problema do terrorismo com o mundo. "Os republicanos declaradamente acreditam que devem assumir a condição de império. Não percebem que o terrorismo é um problema de todas as nações capitalistas desenvolvidas", avalia.

Com relação aos acordos comerciais, os analistas econômicos acreditam que o Brasil está a ponto de firmar uma parceria com a União Européia. "A Alca é pauta certa no ano que vem, esteja quem estiver no poder", prevê o economista da consultoria financeira Global Invest, Alex Agostini. Strapazzon concorda: "com Kerry vamos negociar a Alca; com Bush, ela vem goela abaixo", garante o cientista político. O único empecilho em relação à Alca foi apontado por Carvalhal: "Kerry pode exigir condições sociais melhores para negociar com o Brasil - absurdos como trabalho infantil seriam condenados".

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