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Informática e Internet
06/11/2004 - 14h05
Software reduz custos no diagnóstico de leucemia
Agência USP de Notícias
 
Programa de computador identifica células doentes e pode ampliar acesso a exames. O software, desenvolvido no IFSC, trabalha com imagens digitalizadas e detecta anomalias a partir das características físicas das células sangüíneas.

Um programa de computador desenvolvido no Instituto de Física de São Carlos (IFSC), com colaboração da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), pode limitar a necessidade de exames complementares para diagnóstico de leucemias, dentre elas a Leucemia Linfóide Crônica (LLC). O Leuko, software criado pela pesquisadora Daniela Ushizima, é capaz de analisar as características das células sanguíneas por meio de imagens e auxiliar na detecção de anomalias cancerígenas.

A LLC é o tipo de leucemia mais comum em adultos no Ocidente. No Brasil, aproximadamente 1.500 pessoas por ano são acometidas pela doença. Caracteriza-se inicialmente por um número aumentado de linfócitos no sangue, células que, em estado normal, auxiliam o corpo na luta contra infecções.

Atualmente, após a realização do hemograma (em que há contagem de células) e a verificação dessa quantidade aumentada, são feitos exames complementares. Primeiramente, é realizado um exame manual por hematologistas. "Trata-se de uma análise visual de lâminas. Tarefa cara, repetitiva e que requer mão-de-obra altamente qualificada", aponta Daniela. Quando a análise visual não é suficiente, são realizados procedimentos como imunofenotipagem e análise molecular, exames ainda mais caros do que o anterior e que utilizam substâncias marcadoras para indicar a presença de células doentes.

Vantagens

O software pode restringir a necessidade dos exames complementares na medida em que classifica as células de defesa segundo atributos físicos - textura, coloração, forma do núcleo e do citoplasma - a partir de uma fotografia do sangue. Assim, podem ser identificadas células doentes e a ocorrência de leucemia.

A imagem analisada pelo programa é obtida por meio de uma câmera digital acoplada ao microscópio. Em seguida, é ampliada e transferida a um monitor. Daniela explica que o programa enxerga a imagem como uma matriz (uma tabela de elementos dispostos segundo linhas e colunas) e extrai medidas dessa matriz por meio de fórmulas matemáticas.

A pesquisadora aponta que uma das vantagens do software é o fator econômico, pois os exames complementares demandam equipamentos específicos e reagentes químicos importados e de alto custo. "O custo de um frasco de anticorpo monoclonal, empregado nesses exames, é de U$ 230,00, e o equipamento necessário custa cerca de cem mil dólares", informa.

Com o programa, o diagnóstico poderá ser realizado em laboratórios fora dos centros tecnológicos do País. "Atualmente são poucos os hospitais capazes de diagnosticar leucemias. Com o software, outros centros de saúde poderão realizar ao menos uma triagem para detecção de três tipos da doença: a LLC, a leucemia prolinfocítica e a tricoleucemia", destaca a pesquisadora.

Outro aspecto vantajoso do software é a durabilidade das imagens digitalizadas. A lâmina, onde o material analisado é atualmente mantido para estudos posteriores, costuma desbotar e perder as características originais.

O programa também pode ser utilizado como ferramenta didática para o estudo de características e anomalias celulares. Por trabalhar com fotografias ampliadas, o software pode transformar as observações individuais, feitas pelo microscópio, em uma análise coletiva, realizada em sala de aula.

O trabalho foi premiado, em abril deste ano, no Simpósio Internacional de Imageamento Biomédico, realizado em Washington, EUA. Uma versão do software será disponibilizada, dentro do próximo semestre, no site Daniela’s Web Site. "Maiores desenvolvimentos e testes devem ser feitos para que o sistema computacional possa ser implantado nos laboratórios", ressalta Daniela.

A pesquisa foi orientada pelo professor Luciano da F. Costa (IFSC) e teve co-orientação do professor Marco Zago, do Hemocentro da FMRP. Contou, também, com a participação dos médicos do Laboratório de Hematologia da mesma faculdade.

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