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Iniciativa da 4Linux usará o sistema operacional Linux com o objetivo de preparar jovens para o mercado de trabalho na área de segurança da computação.
A 4Linux, especializada em serviços e treinamento baseados em softwares livres, lança o HackerTeen uma proposta de ensino profissionalizante para adolescentes, com uma metodologia inovadora. Trata-se de um programa de formação técnica e ética, voltado para jovens de 12 a 17 anos, sobre segurança da computação e empreendedorismo. Para que os jovens se sintam envolvidos, a metodologia do curso baseia-se em "desafios". Para tanto, os idealizadores do HackerTeen utilizam uma distribuição Linux com temas jovens, recursos de Mangás (histórias em quadrinhos japonesas), jogos RPG (Role Playing Game), palestras com personalidades, acompanhamento psicológico e pedagogia baseada na teoria de Paulo Freire. Um dos objetivos iniciais do HackerTeen é desmitificar o termo "hacker". Ao contrário do que muitas pessoas pensam, hacker não é "cracker". Ou seja, não é o criminoso que invade sistemas de computadores e viola dados. Hacker é um profissional apaixonado pela informática, sistemas de computação e preocupado com as boas causas sociais. "Queremos dar início a um movimento que canalize o potencial dos jovens aficcionados por computador para atividades produtivas e profissionais, evitando que eles se tornem crackers", afirma Rodolfo Gobbi, presidente da 4Linux. De acordo com o executivo, esta é uma iniciativa inédita no mundo. "Pesquisamos muito e não encontramos em todo o mundo um programa de formação profissional que agrupe todos os ingredientes como estamos fazendo." O HackerTeen também visa despertar nos jovens o mesmo espírito empreendedor que tornou notáveis personagens como Linus Torvalds e outros. "Nos consideraremos vitoriosos se conseguirmos desviar parte da energia que os adolescentes despendem em jogos de computador para o aprendizado de Linux e segurança em computação", afirma Gobbi. Durante o curso os alunos do HackerTeen receberão orientação sobre as conseqüências dos crimes digitais e de atividades ilícitas no universo da computação. Preocupação social A IBM foi a primeira empresa a reconhecer a importância de uma iniciativa desse porte para o desenvolvimento da ética e responsabilidade social entre os jovens brasileiros. A empresa decidiu apoiar esse projeto inovador, através de sua iniciativa Reinventando a Educação, contribuindo para que 24 jovens em situação de desvantagem social tivessem acesso a essa experiência. Eles formarão as duas primeiras turmas, uma em Santo André (SP) e outra no Rio de Janeiro, que terão início em 29 de novembro de 2004 e seguirão por um ano e meio. "O pioneirismo da parceria entre a IBM e a 4Linux precisa ser destacado, pois viabiliza essa oportunidade para jovens de comunidades de baixa renda em primeira mão. A tecnologia do HackerTeen só estará disponível para jovens de outras classes sociais depois do piloto com esses 24 jovens", afirma Patrícia Menezes - executiva de programas de responsabilidade social da IBM Brasil. Esta iniciativa que faz parte do projeto Reinventando a Educação, projeto global da IBM que tem como objetivo a melhoria da qualidade da educação básica, mostra a preocupação da empresa em utilizar a tecnologia de maneira socialmente responsável. Além do apoio da IBM, parcerias com governos municipais, estaduais e federal vão permitir que a 4Linux leve o curso para outros adolescentes em situação de desvantagem social. Para isso, a cada turma de 24 alunos, uma vaga será destinada a um adolescente que seja indicado por um parceiro como, por exemplo, Telecentros de prefeituras ou organizações não governamentais voltadas à educação. Numa segunda fase, a expansão do HackerTeen se dará em forma de franquias e parceria com colégios. Método Bom humor e linguagem jovem são os primeiros ingredientes do método usado pelo HackerTeen. Valendo-se de acompanhamento psicológico e atenção especial ao TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) - problema comum entre adolescentes -, o curso tem nos jogos RPG (Role Playing Game) e nos Mangás (quadrinhos japoneses) uma forma bastante descontraída para atrair a atenção dos alunos. O sistema operacional Linux foi customizado para deixá-lo com uma imagem jovem. Para que o aluno tenha o seu desempenho maximizado e se torne um HackerTeen, uma psicóloga irá avaliar se ele dispõe das habilidades necessárias para ter o comportamento ético e social de um futuro Hacker. Nesta avaliação, também será investigada a presença do déficit de atenção e hiperatividade, para a adequação de um programa educacional destinado às necessidades específicas dos adolescentes. Assim como a comunidade de software livre compartilha suas descobertas e preza o espírito colaborativo, o HackerTeen se apóia na didática do educador Paulo Freire. A idéia é que a educação não deve ser imposta e, sim, solidária, um ato coletivo. Com isso, a troca de experiências e o aproveitamento do aprendizado sobre computadores que os jovens possam ter são usados para evoluir a formação profissional por meio da criatividade através dos jogos RPG. Ao final das cinco faixas, o HackerTeen terá recebido conteúdo suficiente para prestar provas para as certificações LPI - Linux Professional Institute e Ethical Hacker, as quais garantem excelentes chances de colocação no mercado de trabalho. Como surgiu a idéia O vício dos jovens em jogos de computadores e seus efeitos sociais foi o que motivou os sócios da 4Linux a criar o HackerTeen. Depois de pesquisar o assunto, os sócios da empresa descobriram que há registro de alguns casos de morte de jovens no mundo ligados ao excesso de horas jogando em frente ao computador. Descobriram também que nos Estados Unidos foi criado um hospital especializado em tratamento de viciados em Internet e computadores. Os fatos foram mais do que suficientes para que uma empresa voltada ao treinamento desse início ao projeto HackerTeen. A linha de pensamento inicial foi o aproveitamento da energia do jovem para indicar o caminho da profissionalização com princípios éticos. 4Linux Um grupo de estudos formado em 1996 por quatro universitários (daí o nome 4Linux) que se reuniam informalmente para trocar experiências sobre o sistema operacional Linux e outros softwares livres foi o início da empresa 4Linux. Sediada em São Paulo, a empresa está legalmente constituída há quatro anos e montou estrutura para prestar serviços de treinamento e projetos baseados em software livre. A 4Linux já treinou mais de nove mil alunos em Linux e, outros softwares livres, e realizou alguns dos maiores cases de software livre do Brasil (Metrô de SP). O Projeto CDTC (Centro de Difusão de Tecnologia e Conhecimento) - parceria entre a IBM e o ITI - que envolve, entre outras ações, o treinamento em Linux de mais de 700 multiplicadores do Ministério da Educação está sendo ministrado pela 4Linux. Além do Linux, a 4Linux tem um grande foco nos assuntos relacionados à segurança de informações. Os cursos de segurança da 4Linux equiparam-se ao ministrados pela Foundstone Corporate dos USA e pela Matta Security Limited da Inglaterra. Polícias Civis de crimes digitais de alguns estados brasileiros formaram seus profissionais na 4Linux.
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