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Economia e Negócios
11/11/2004 - 07h27
Dualismo econômico
Paulo Skaf
 
O temor da inflação, em especial quando infundado, não pode barrar a prosperidade.

Os indicadores positivos divulgados em outubro - expressos no superávit da balança comercial, no índice de empregos da Fiesp e nos dados do IBGE sobre a performance da produção industrial - foram importantes contrapontos às más notícias provenientes do Exterior: o rebaixamento do Brasil no índice de competitividade do World Economic Forum e sua queda no ranking dos principais países com potencial de atração de investimentos diretos. Entretanto, embora saudável para a auto-estima da Nação, a tendência de recuperação econômica não deve relegar a um segundo plano os dados dos organismos internacionais e tampouco mascarar os sintomas neles contidos.

É necessário e prudente assimilar os alertas, pois espelham um problema efetivo, não resolvido pelo Brasil nos dez anos desde o advento do real: a capacidade de conciliar controle da inflação/responsabilidade fiscal com o crescimento econômico sustentado. Assim, o que se verifica é a ocorrência pontual de períodos de expansão do nível de atividades, como no ano 2000. A rotina, porém, tem sido de estagnação e até recuo do PIB, como ocorreu em 2003, na contramão, aliás, dos próprios cenários do Continente: a Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) demonstra, em estudo recente, que as dez principais economias da região cresceram. O Brasil foi a exceção.

Os dados concretos e as boas perspectivas de expansão do PIB brasileiro, este ano, devem ser vistos como oportunidade para o ingresso da Nação num círculo virtuoso da economia. Talvez o momento seja o mais propício da última década, considerando os cenários externos e a conjuntura interna de aquecimento, para a revisão dos três pontos críticos da política econômica: juros altos (Selic e TJLP), impostos excessivos e escassez de linhas de crédito para investimentos produtivos. O empresariado e os organismos internacionais têm razões bem fundamentadas ao apontar esses obstáculos à produção.

Na lógica do capitalismo, não pode haver tanto antagonismo entre inflação baixa/equilíbrio fiscal e crescimento. Este paradoxo parece ainda mais intrigante num país, como o Brasil, muito distante de um quadro de inflação de demanda. Levando-se em consideração a necessidade de incluir milhões de habitantes nos benefícios da economia, o bom-senso indica que intensificar investimentos é a melhor alternativa contra a alta de preços, refreando eventuais pressões inflacionárias.

Há tempos, a Nação parece acometida de uma espécie de esquizofrenia econômica. É como se a prosperidade tivesse, necessariamente, de ser punida com o castigo da inflação. Contudo, muito além de criticar ou se limitar à condição de analistas, os empresários, bem como os trabalhadores, devem mobilizar-se no sentido de participar das decisões. Aliás, precisa ser sempre ressaltada a capacidade de superação das empresas brasileiras, que sobrevivem há décadas num ambiente econômico inóspito. Criatividade e infinita capacidade de acreditar na possibilidade do desenvolvimento incluem-se entre as virtudes que mantêm viva a economia nacional.

Assim, é legítima a reivindicação das forças produtivas no sentido de que se removam os obstáculos à multiplicação dos investimentos e à criação de empregos em maior escala. Ademais, quem produz e trabalha precisa exercitar de forma mais pró-ativa o direito e o dever de influir no processo histórico. Tal postura é decisiva para solucionar os problemas brasileiros, dentre eles esse estranho dualismo no qual se digladiam o anseio do crescimento e o freio do monetarismo exacerbado.


Nota do Editor: Paulo Skaf, empresário, é presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

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