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De onde vêm os bebês e como eles foram parar dentro da barriga da mãe; por que a mulher sangra todo mês; Aids passa com beijo, perguntas sobre sexo, na maioria das vezes, pegam mães e pais de surpresa. Nesse cenário, os meios de comunicação aparecem como vilões da história, às vezes veiculando materiais eróticos ou preconceituosos conturbando ainda mais a situação. Cabe à família e à escola a tarefa de "apagar esse incêndio". Da família, com certeza, vêm as primeiras noções e o modelo principal. A escola aparece como bom espaço para explorar o assunto não somente em seus aspectos biológicos, como também sociais e relacionais. Entre aquelas que conseguem cumprir a contento esse papel, estão as instituições que disponibilizam momentos de debates e reflexões com seus alunos tentando derrubar tabus e preconceitos. Na Educação infantil o dilema está em como abordar o assunto sem reprimir a descoberta da sexualidade. Até que ponto deve ir a interferência do educador nessas descobertas. Segundo Fernanda Nedopetalski, Orientadora Pedagógica da Escola Quintal de Ed. Infantil, situada no Morumbi, zona sul da capital, nessa faixa etária trabalha-se de acordo com a demanda da criança. Respostas objetivas quando surgem perguntas são mais indicadas. "O mais importante, no entanto, é trabalhar as relações, a igualdade. Todo mundo brinca com todo mundo e não tem essa coisa de que menino não pode chorar", explica a educadora. Segundo a psicopedagoga e escritora de livros infantis Adriana Foz Veloso, a educação sexual, em seu sentido amplo, deveria começar desde a mais tenra idade, uma vez que ela fala de diferenças e semelhanças entre nós. Isso não significa que a ordem é folhear livros sobre o tema com crianças de 3 ou 4 anos. Mas, sim, adotarmos os cuidados essenciais com o tema e encará-lo com naturalidade. "Mas o importante é que os pais assumam suas posturas de orientadores, acompanhando seus filhos a partir de suas necessidades e interesses. Quando um menino de 5 anos aparecer com uma pergunta do tipo ’pai, eu quero um orgasmo’: não entre em pane. Respire e devolva a pergunta: o que é orgasmo para você? Com certeza ele ouviu esta palavra sem entender o seu contexto. Sexualidade não é o sexo em si, é todo um comportamento ligado ao tema", orienta a educadora.
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