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Segundo a definição do Programa Brasileiro de Biocombustíveis, o biodiesel é o combustível formado pela mistura, em diferentes proporções, de éster (nome técnico para um tipo de gordura) de óleos vegetais com o óleo diesel convencional derivado de petróleo. O diesel vegetal, contudo, já é chamado diretamente de biodiesel pelos técnicos, independentemente da mistura com o derivado de petróleo. O biodiesel vegetal pode ser obtido de diferentes fontes, como soja, girassol, mamona ou simplesmente óleo de fritura doméstica. Para que seja obtido, é preciso separá-lo do óleo vegetal por meio de reações químicas. Isso é feito principalmente por dois processos, dos quais o mais usado é de transesterificação - reação de um óleo vegetal com um álcool (metanol ou etanol - o álcool comum, usado nos automóveis, feito a partir da cana-de-açúcar), na presença de um catalisador (substância que acelera o processo químico), que produz biodiesel e, como subproduto, a glicerina (produto usado nos sabonetes). Kleber Mundim, professor do Instituto de Química da Universidade de Brasília (UnB), destaca como principal vantagem do processo de transesterificação o fato de que a tecnologia necessária já é amplamente difundida no Brasil. Como desvantagem, o professor ressalta que a glicerina produzida pelo processo necessita de mais etapas para ser comercializada. "O produto (glicerina) tem valor de mercado, mas é contaminado pelo álcool, o que faz com que requeira um processo de purificação, gerando um custo adicional", explicou. Especialista na produção de biodiesel por meio de craqueamento térmico/catalítico (processo que provoca a quebra molecular por aquecimento a altas temperaturas - ou seja, faz com que a substância se "dissolva", ou "desmanche"), Mundim explica que o uso dessa tecnologia viabiliza a produção de biodiesel em pequenas localidades. No processo de craquamento, segundo o professor, há um gasto relativamente alto com energia térmica, uma vez que a quebra molecular ocorre a partir dos 350° C, e a produção é de pequena escala. "Cerca de mil litros por dia", explica. Em compensação, a tecnologia se mostra mais adequada para pequenas localidades. "Um fazendeiro, por exemplo, pode produzir biodiesel, abastecendo a propriedade e sua maquinaria", diz. "Sobretudo, o biodiesel (produzido pelo craquamento) é quimicamente equivalente ao (diesel) obtido do petróleo, mas sem enxofre - componente altamente poluente". Adoção do biodiesel diminuirá poluição atmosférica, afirma Greenpeace Segundo o coordenador da Campanha de Energia do Greenpeace, Sérgio Dialetachi, os combustíveis "limpos", como o biodiesel, são o futuro do Brasil. "Nós temos aí uma possibilidade de biocombustíveis que está crescendo no país", avalia. "Os óleos vegetais, quando queimados, produzem menos desses gases que mudam o clima do planeta, como, por exemplo, o gás carbônico. Ainda há de se estudar a produção de alguns outros gases que estariam sendo formados de acordo com a espécie vegetal queimada. Mas, de forma geral, o biodiesel e a queima de óleos vegetais ’in natura’ são menos poluentes do que o do diesel normal e alteram menos o clima do planeta, por conseqüência", explica Dialetachi. O biodiesel, de acordo com Dialetachi, já é uma realidade no mundo. Na Europa, países como Alemanha, França e Itália já produzem o combustível comercialmente. Os países da União Européia produziram mais de um milhão de toneladas de biodiesel em 2002, segundo dados da European Biodiesel Board (Comitê Europeu do Biodiesel). O coordenador do Greenpeace destaca, entretanto, que ainda há problemas em relação ao monopólio do petróleo no mercado mundial e também à idéia que se tem sobre a aplicação de fontes renováveis de energia. "Falta acreditar que as (energias) renováveis são energias de fato e não energia ’de butique’ para pequenas utilizações muito localizadas. O biodiesel já tem sido utilizado em uma escala crescente na Europa. Algumas montadoras de automóveis têm se associado com empresas de ’agribusiness’ (agronegócio), nos Estados Unidos e no Canadá, no sentido de começarem as suas próprias produções de biodiesel. Tem o problema, sempre, de atrapalhar o monopólio do petróleo. As grandes companhias de petróleo começam a perder mercado à medida em que se adicionam óleos vegetais ao diesel de petróleo", afirma.
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