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Educação
15/11/2004 - 11h06
Bebês e crianças pequenas - o que fazer com eles?
Maria Guimarães Drumond Grupi
 

O que há de tão importante em um berçário e uma pré-escola?

Tudo. Amigos, desafios, medos, criatividade, erros, acertos, carinho, bronca, festas, decepções, vitórias... Todas estas coisas e tantas mais...

A partir do 6º mês de vida, o bebê, pronto para engatinhar, começa a ver o mundo, não mais como uma criança prostrada deitada em decúbito dorsal, mas de muitos outros ângulos. Descobre que, mexendo e virando um pouquinho aqui e ali, ele é capaz de interagir com todo este mundo que o rodeia. Descobre também, e rapidamente, que há milhões de possibilidades e combinações de objetos, pessoas, movimentos, luzes, cores, cheiros, gostos e que ele pode também fazer parte de todo este universo que se abre para ele de forma magicamente mágica.

A curiosidade e o interesse são maiores que o medo e a insegurança. A vontade de colocar a mão, sentir, provar é o que faz uma criança se deslocar de uma posição deitada, passando pelas posições de 6, 4 e 2 apoios.

E aí fica a pergunta: o que aprender? O que vivenciar? O que experimentar? Onde e como enfrentar as perdas afetivas, afetos pouco retribuídos. Onde e como aprender a postergar os desejos e as vontades. Onde e como exercitar a confiança em outros que não o pai, a mãe e os avós...

Em uma pré-escola, em um berçário... Certamente. Não com babás ou com simpáticas avós.

Reunidas em grupos pequenos e de faixa etária próxima, as crianças são expostas a um mundo rico de informações e de vivências. Terão a oportunidade de introjetar os melhores conceitos acerca de tudo e todos. Tais informações serão armazenadas nas áreas de memória (cerebral) que, nesta idade, funcionam literalmente como umas esponjas. A criança não tria ou processa o que vai ser armazenado. Ela simplesmente respira e absorve. Temos, portanto, que garantir o que será absorvido, que informações queremos que ela entre em contato, que valores, que atitudes, que julgamento, que estética.

A triagem deve ser feita pelos pais. É sabido que crianças expostas a ambientes pobres darão respostas pobres ao meio, quando solicitadas, uma vez que terão armazenados recursos pobres. Além do mais, sabemos que crianças pouco exigidas não se vêem testadas e conseqüentemente são inseguras por não colocarem à prova o seu potencial e seus recursos.

Como saber se a criança está sendo adequadamente bem estimulada, se os objetos ao seu dispor estão sendo ou não provocadores de novas sensações em um grande movimento de equilíbrio e desequilíbrio, construção e desconstrução, ordem e caos?

Como tratar a acomodação dos muitos "eus" que compõem o grupo social, em um momento onde todos se sentem pequenos "reis sois"?

Como lidar com a frustração dos muitos nãos que fazem parte do dia-a-dia, e até mesmo como lidar com a própria incapacidade, incompetência, medos e fantasias...

Como aprender a reconhecer a autoridade e a respeitar o papel social de cada um, neste pequeno mais organizado contexto social?

Crianças que não tiverem oportunidades de conviverem socialmente e afetivamente com crianças de mesma faixa-etária não terão como treinar seus argumentos, tornando-se articuladas e pertinentes nas suas colocações.

Crianças que não se frustrarem não adquirirão resistência às frustrações. Serão incapazes de superar facilmente as perdas, por menores que estas sejam.

Crianças que não ouvirem histórias de bruxas, fadas, princesas e monstros, não saberão domar seus medos e suas fantasias e terão dificuldades para distinguir o real do imaginário.

Isto posto, é fácil perceber que é impossível para babás (por mais bem intencionadas que sejam), avós e mesmo pais oferecerem situações tão ricas e variadas no dia-a-dia da criança, levando-a a sedimentar sensações e vivências que irão capacitá-la a viver sensações futuras com muito mais adequação e propriedade. Qualquer tentativa de criar situações semelhantes àquelas vividas em um berçário e uma pré-escola não passará de um mero arremedo com a realidade.

Viver o aqui e o agora é o que importa. Quanto mais cedo melhor. A partir do 6º mês de vida, a criança já se sente e já se sabe amada pelos pais. Estes por sua vez, devem atuar como agentes catalisadores das muitas experiências que a criança certamente experienciará durante a sua jornada. Caberá a eles, pais, ouvirem, ponderarem e levarem a criança a perceber sua adequação e/ou inadequação. Sem darem respostas prontas à criança, devem levá-la a perceber qual deveria ter sido (se for o caso) sua atuação frente à problemática, a ela apresentada.

Avós - Por que não?

Simples. Toda a criança merece ter avós e todos os avós merecem netos. Para poder se relacionarem nos respectivos papeis de netos e avós, não pode haver compromisso outro que não o de amar. Não pode existir preocupação em educar, em adequar, em trabalhas os nãos ou o sim. A única preocupação dos avós deverá ser a de amar os netos de maneira incondicional preservando os seus limites pessoais. Novos valores, novos padrões do certo e do errado faz parte do educar que é responsabilidade dos pais. Daí porque a convivência deve ser bem dosada. Todos deveriam saber como eram bons os momentos que eu passava com os meus avós...

Enfermeiras e babás - o que elas têm a oferecer que valha a pena ser armazenado para uso futuro é o que os pais devem decidir...

Na maioria das vezes, são tão assépticas, assépticas até de afeto...


Nota do Editor: Maria Guimarães Drumond Grupi é Psicóloga e diretora do Ponto Omega Centro de Cuidados Infantis, em São Paulo (SP).

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