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Ciência e Tecnologia
30/11/2004 - 12h07
O El Niño virá para o Natal deste ano?
 
 

Desde o início de 2004, os principais Institutos de Meteorologia nacionais e internacionais previam um possível episódio de El Niño para o segundo semestre deste ano. Depois de um período de incertezas, está comprovado: o oceano Pacífico apresenta um aumento de temperatura e o El Niño já se manifesta. Por enquanto, como se trata de um episódio de fraca intensidade, as condições do tempo observadas no momento, chuvas e mais chuvas no Sudeste, não estão atribuídas ao El Niño e sim ao ciclo normal desta época do ano. No entanto, mesmo sendo considerado de intensidade fraca, o El Niño vai influenciar o regime de chuvas e o comportamento do clima. Para o verão 2004/2005, haverá uma redução do risco de estiagem prolongadas, diferente do que aconteceu no último verão, o qual não estávamos sob a influência do fenômeno.

Se por um lado o El Niño pode representar riscos, por outro lado ele traz oportunidades de negócio. Os riscos estão associados às frustrações das safras em algumas regiões e principalmente a questão da Defesa Civil das cidades. Dependendo da região do mundo, o fenômeno está ligado à escassez de chuva ou excesso. Com isso, as commodities agrícolas são influenciadas diretamente, alterando a economia mundial. No Brasil, o fenômeno traz chuvas acima da média no sul e escassez no Nordeste. Já no Sudeste e Centro-Oeste, o El Niño não interfere diretamente no regime de chuva, mas as regiões passam por um período de altas temperaturas.

"Para os agricultores e suas safras em curso, o fenômeno deve beneficiar os produtores de soja e milho da região sul que sofreram na safra passada com um longo período de estiagem e a super safra americana" - diz o Meteorologista e consultor do Canal Rural, Paulo Etchichury. O El Niño também vai influenciar o clima dos Estados Unidos. De acordo com Paulo, a próxima lavoura de soja americana pode ser prejudicada o ano que vem devido à escassez de chuvas nas regiões produtoras, o que vai favorecer a soja plantada aqui no Brasil.

Para o Nordeste do Brasil a situação se inverte. Se no ano passado as chuvas foram abundantes, este ano, com o El Niño, as chuvas serão irregulares e em menor volume, o que deve afetar não só a agricultura da região mas também o sistema de abastecimento de água. "Embora o El Niño seja de fraca intensidade, a situação estará crítica para o Nordeste porque o oceano Atlântico também se mostra desfavorável: quente em sua parte norte e frio no sul" - diz Etchichury. Para as safras do Sudeste e Centro-Oeste, o El Niño não traz grandes preocupações. Porém, se o El Niño não influencia na agricultura destas regiões, terá um impacto direto no comércio de produtos de verão, já que o tempo estará mais quente.

Esta informação serve para reanimar o setor de venda de sorvetes, ares-condicionados, refrigeradores e bebidas que tiveram no ano passado o verão mais frio dos últimos 25 anos. Mesmo sendo mais quente, as condições deste verão ainda não serão totalmente ideais como as da Primavera-Verão 2002/2003, quando ocorreu o último de El Niño, de intensidade maior do que o episódio previsto para este ano.

De acordo com a SOMAR Meteorologia, o segredo para o sucesso dos mais variados setores do mercado é o constante monitoramento do tempo e clima. Se o fenômeno continuar ao longo de 2005, as expectativas voltam a mudar. Afinal, o El Niño pode ser um aliado durante o verão para os agricultores do sul, mas pode se tornar um vilão na hora da colheita das safras, devido o aumento das chuvas. Já para os comerciantes, a continuidade do El Niño representa um outono/inverno mais ameno, ou seja, mais quente, o que prejudica a venda dos artigos de inverno. Para as malharias que ainda comemoram as boas vendas do último inverno, o El Niño não é uma boa notícia. Para os comerciantes informados, uma boa estratégia de produção pode ser formulada para que não haja grandes prejuízos, afinal de aliado o fenômeno passa a ser vilão para diferentes setores do mercado. "A previsão do tempo deixou de ser uma necessidade exclusiva para a agricultura, tornando-se eficiente para o setor empresarial, que constitui grande porcentagem da cartela de clientes da SOMAR" - explica Paulo. Além de ser consultor do programa Tempo da Gente que vai ao ar todos os sábados das 12h00 às 13h00 no Canal Rural, Paulo Etchichury atualmente é sócio-diretor da SOMAR Meteorologia e participa de seminários e feiras agrícolas e comerciais por todo o Brasil.

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