|
A Transparência Brasil divulgou esta semana os resultados da segunda edição da pesquisa "Corrupção no Brasil: A perspectiva do setor privado, 2003". Realizado em colaboração com a Kroll Brasil, o levantamento traz informações valiosas para compreender o fenômeno da corrupção no país. Alguns exemplos: Cerca de 70% das empresas afirmam gastar até 3% de seu faturamento com o pagamento de propinas. Para 25%, esse custo situa-se entre 5% e 10%. Metade das empresas da amostra participam ou já tentaram participar em licitações públicas. Destas, 62% já foram sujeitas a pedidos de propinas. Um quarto das empresas foi alvo de pedidos de propinas quando da solicitação de licenças concedidas pelo poder público. Mais de metade afirma já ter sido objeto de achaques por fiscais tributários. O imposto mais vulnerável, para 78% das empresas, é o ICMS (estadual), e o principal "favor" que fiscais corruptos prestam é relaxar fiscalizações e inspeções. 29% das empresas admitem que ameaçar e constrager agentes públicos é forma de obter vantagens. 21% das empresas afirmam que a corrupção é aceita tacitamente pelas políticas gerenciais. 78% das empresas possuem código de ética que proíbe o pagamento de propinas. 56% das empresas contam com um mecanismo de denúncia de suspeitas de corrupção. Mas a investigação de casos de suspeita de corrupção ocorreu em apenas 22% das empresas. A punição de funcionários culpados aconteceu em apenas 14% das empresas. Empresas que participam de licitações usam pouco o direito de contestação: apenas 23% já entraram com recurso administrativo junto aos órgãos responsáveis, 5% solicitaram investigação a Tribunais de Contas e 5% foram à Justiça.
|