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Segundo especialistas, essa é a única saída para atender a demanda real da sociedade, já que não há recursos financeiros disponíveis para construir novas salas de aula e formar milhares de novos professores.
Pesquisas desenvolvidas no Canadá têm demonstrado que quando um curso universitário via Web é bem organizado, a aprendizagem do aluno é mais eficaz do que seria se o mesmo curso fosse dado presencialmente. A interatividade intensa via rede é o fator predominante na diferenciação. Em uma universidade pública da Austrália, sete mil alunos estão realizando, com sucesso, cursos completos de graduação e pós-graduação totalmente automatizados via Web - isto é, sem a interferência ao vivo de um professor, a não ser que o aluno assim deseje. No Brasil, embora existam exemplos de sucessos de EAD, como o TeleCurso 2000 (que atende 500 mil alunos por ano através da televisão em circuito aberto e material impresso) e os cursos via Web nas universidades corporativas (para aproximadamente 200 mil executivos e funcionários), o potencial não realizado e a demanda reprimida ainda são enormes nos ensinos médio e superior. Grande parte do atraso está em ignorar esse fato. "Há um certo preconceito contra a educação a distância por parte da população em geral, algo do tipo ’não vi e não gostei’", afirma o Presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), Fredric Michael Litto. Segundo professor Litto, o Brasil está atrasado na área de Educação a Distância (EAD). "Não temos um consenso de opinião sobre que modelo de estrutura seria melhor para a nossa realidade - centralizada ou descentralizada - nem sobre outras questões básicas, como: propriedade intelectual (se os direitos do conteúdo de cursos pertenceriam à instituição ou ao professor), que tecnologia ou tecnologias usar e para que público prioritário e a quem a EAD deve ser dirigida (alunos atuais presenciais ou um novo público, à distância)", revela. Segundo ele, as respostas a essas questões têm de ser o resultado de pesquisa e consenso de opinião de vários setores da sociedade. "Se acreditarmos que, em termos gerais, a qualidade das nossas instituições é boa e se acreditarmos também que, quanto mais brasileiros tiverem contato com a boa aprendizagem, melhor para a sociedade, então temos de promover a EAD", argumenta. Apesar de todas as dificuldades, as perspectivas para um futuro próximo são positivas. O Ministério da Educação já se manifestou favorável ao amplo uso de EAD em situações apropriadas por ter conhecimento dos bons resultados em outros países e por querer estender progressivamente o acesso educacional a um número cada vez maior de brasileiros. O Brasil, atualmente, tem apenas 9% dos seus jovens de 18 a 24 anos matriculados em instituições de ensino superior, enquanto Argentina e Chile têm 30% cada; Reino Unido, 40%; EUA, 55% e Coréia do Sul, 85%. "As mais importantes universidades do mundo, conhecidas pela qualidade do ensino e da pesquisa, fazem amplo uso de Educação a Distância. Entre elas, podemos destacar: Universidade da Califórnia, M.I.T., Cornell, Harvard, Michigan, Indiana, Stanford, Oxford, Cambridge e muitas outras. O M.I.T., por exemplo, há dois anos disponibilizou gratuitamente na Web, em forma digital, todo o material de seus cursos, numa tentativa de apoiar alunos em outras instituições, públicas e privadas, bem como pessoas não-matriculadas, mas com interesse em aprender. Um magnífico gesto, que deveria ser seguido por todos", finaliza professor Litto. Nota do Editor: Fredric Michael Litto é Professor Titular da ECA-USP, Coordenador Científico da Escola do Futuro da USP e Presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED).
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