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Ser criança é ter energia de sobra, é brincar de manhã até o anoitecer. E brincando ela descobre o mundo, seus limites e, também, desenvolve sua capacidade motora. Sem perceber, ela trabalha o equilíbrio, a coordenação, o reflexo. Especialistas são unânimes em afirmar a importância da atividade motora para um desenvolvimento pleno da criança. Quanto mais estímulos nesta área, mais segura a criança vai se sentir através do seu corpo, e mais segura ela será emocionalmente. Os benefícios são muitos e o melhor é começar a estimulação o quanto antes. Instintivamente as mães fazem estes movimentos de estimulação com os bebês, mas se elas voltam ao trabalho e não tem mais tanto tempo para se dedicar ao filho, muitas vezes a criança passa a não receber tantos estímulos como deveria. Atentas a esta necessidade da criança, algumas escolas de São Paulo contratam profissionais especializados na área psicomotora para trabalharem com os alunos. A intenção é que, através de atividades corporais, a criança desenvolva sua capacidade motora de forma plena e também tenha maior consciência sobre seu corpo. Na escola de educação infantil Ponto Ômega, bebês a partir dos três meses já começam a ser estimulados. A diretora da escola, a psicóloga e pedagoga Maria Grupi, explica que é através do corpo que os bebês se comunicam e que, ao melhorar sua motricidade, melhora também a comunicação da criança com o mundo. "Uma criança desastrada, que não alcança os brinquedos que quer, que não se alonga o suficiente, fica irritadiça e depende de outros pra atender às suas necessidades. A partir do momento que ela fica mais competente, ela concretiza as ações que deseja, fica mais independente, tem mais satisfação e mais auto-estima", explica. A professora de Educação Física Leila Colângelo é quem ministra as aulas de estimulação motora no Ponto Ômega. Quatro vezes por semana, ela trabalha os movimentos corporais e habilidades de cada criança. Ela conta que as crianças adoram a aula. "Elas se divertem e, ao mesmo tempo, ganham maior consciência corporal, mais agilidade e melhor postura", garante. As atividades variam de acordo com a faixa etária. Dos três aos nove meses, é estimulada a percepção corporal, são fortalecidos os músculos do abdome, pés e mãos e o bebê aprende a sentar. Entre 10 meses e 1 ano e 6 meses, a criança sobe degraus, rampas, rasteja e segura bolas. A partir de um ano e meio, os alunos começam a participar de atividades em grupo. Uma das preferidas é o mini-circuito. As crianças são estimuladas a superar obstáculos, saltar e correr. Aos dois anos, o grau de dificuldade no desempenho das tarefas cresce e a criança já está apta a diferenciar cores e formas. A partir dos três anos, os alunos do Ponto Omega são apresentados de forma lúdica a alguns esportes, e aos quatro anos passam a praticar modalidades variadas e a conhecer suas regras. No Baby Oz, berçário do Colégio Magno, os bebês também começam a ser estimulados logo nos primeiros meses de vida. Quem comanda as atividades é o psicomotricista Sérgio Nacarato. Além de atender às crianças duas vezes por semana, ele capacita as babás e berçaristas para darem continuidade ao trabalho nos outros dias. Segundo ele, o objetivo da estimulação psicomotora não é adiantar as fases do desenvolvimento da criança, mas ajudá-la a vencer os desafios e executar bem os novos movimentos. "A criança vai rolar, rastejar, sentar, engatinhar e andar quando seu sistema neuropsicomotor estiver pronto para isto. O nosso trabalho é estimular a criança a descobrir o potencial de seu próprio corpo para superar bem todas estas etapas do desenvolvimento", esclarece. Para realizar os estímulos sensoriais e motores, o Baby Oz tem diversos tipos de brinquedos e acessórios. Sérgio Nacarato conta que são utilizados rolos, espelhos, colchonetes, bolas e muitos outros objetos de acordo com a faixa etária, mas o principal para o sucesso da atividade é a relação entre o bebê e o profissional. "Na verdade, brincamos com eles e, de forma lúdica, vamos atingindo nossos objetivos. A nossa intenção é tornar a vida da criança mais feliz", conclui.
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