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O modelo de organização produtiva por cooperativa é o único meio do pequeno produtor rural se manter no campo, defender seus interesses e preservar sua atividade da tendência de incorporação pelas grandes empresas. Associados a cooperativas, os agricultores com pouca terra e recursos reduzidos encontram força para competir e adotar modernas tecnologias. "No campo, o agricultor virou aliado das grandes agroindústrias, que, muitas vezes, impuseram mudanças tecnológicas sem prever as conseqüências sociais. Sem a união e a organização em cooperativas, os agricultores perdem as terras e saem do campo", diz Evaristo Machado Netto, presidente da Ocesp - Organização de Cooperativas do Estado de São Paulo. O estado de São Paulo conta com 125 cooperativas de produção agropecuária, reunindo mais de 115 mil cooperados, responsáveis pela geração de 23 mil postos de trabalho, ao contratarem empregados para ajudar nos minifúndios. Em 2003, o cooperativismo agropecuário contribuiu com um terço do PIB paulista, de R$ 24,74 bilhões. Na região de Cândido Mota, por exemplo, 70% dos 1761 associados da Coopermota são produtores que cultivam até 40 hectares, variando suas safras no plantio de soja, milho, trigo e café. Neste módulo rural, é impossível construir silos para cada propriedade, contratar profissionais exclusivos para assistência técnica e comprar maquinário de uso intensivo. A infra-estrutura da cooperativa é fundamental e possibilita que o associado se dedique à atividade produtiva, sem se preocupar com armazenamento e comercialização. Uma novidade da Coopermota para manter as pessoas no campo com qualidade de vida é o lançamento de projetos sociais com mulheres e filhos de associados. A Cooperativa de Laticínios de Sorocaba (Colaso) possui 700 cooperados em 40 cidades da região de Sorocaba. A cadeia produtiva envolve dez mil pessoas, entre produtores, familiares, empregados rurais, carreteiros, funcionários, distribuidores, vendedores e ajudantes. A Usina de Itapetininga recebe 180 mil litros de leite/dia, em média, e cada cooperado contribui com 200 litros/dia. Hoje, 90% da coleta de leite é a granel e 10% em latões. A cooperativa adiciona valor e comercializa o leite enviado pelos cooperados, tornando possível a atividade de pequeno produtor. Outro exemplo vem da Cooperativa Veiling Holambra. A característica do produto - plantas verdes, flores de corte e em vaso - impõe a estruturação de pequenas unidades produtoras, a maioria familiar e com produção restrita de alta qualidade. A atuação da cooperativa abre novos mercados, inclusive no mercado externo. Não é só na produção agrícola que a cooperativa ajuda o desenvolvimento regional. As cooperativas de crédito rural ajudam os pequenos e médios produtores a conseguir crédito a juros mais baixos e a realizar operações com tarifas inferiores dos bancos comerciais. Segundo dados do sistema Sicoob/Cocecrer-SP, em 2003, as 30 cooperativas de crédito rural paulistas emprestaram um total de R$ 690 bilhões.
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