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SEÇÃO
Economia e Negócios
24/12/2004 - 06h20
Tesouro cria novos índices de renda fixa
Alana Gandra - ABr
 

A partir de 1º de março próximo, o Tesouro Nacional vai oferecer ao mercado, em parceria com a Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima), uma nova família de índices de renda fixa com carteiras compostas por títulos públicos federais. A iniciativa segue experiência já desenvolvida pela Andima na divulgação do Índice de Renda Fixa do Mercado (IRF-M) para papéis pré-fixados (Letras do Tesouro Nacional-LTNs).

Com esse objetivo, o secretário do Tesouro, Joaquim Levy, e o presidente da Andima, Edgar da Silva Ramos, assinaram convênio dia 22. Para o secretário do Tesouro, os novos índices trarão vantagens não só para os investidores institucionais (gestores de fundos de pensão em especial), mas também para o investidor comum.

"Hoje, cada vez mais as pessoas entendem que para decidir um investimento é preciso a combinação entre retorno e risco", disse Joaquim Levy. Ele explicou que esses índices, como terão publicação diária, permitirão que o investidor compare o resultado de seu fundo, por exemplo, bem como sua variação (volatilidade) e o retorno para aquela classe, com uma média geral, um índice de referência. Isso dará ao investidor condições de julgar se o retorno está sendo compatível com as suas expectativas ou não. "Você está dando mais instrumentos ao investidor", disse Levy.

A criação dessas novas referências representa mais um passo na estratégia do governo para melhorar o perfil da dívida, explicou o secretário do Tesouro. "Ao criar isso de maneira transparente, acessível, fácil de achar e de comparar, você cria uma confiança para a pessoa estar investindo em papéis mais longos também e não apenas no curto prazo".

No âmbito mais macroeconômico, Joaquim Levy acrescentou que a nova família de índices permitirá ter indicadores da taxa de juros de médio prazo, "o que é muito importante para ajudar na decisão de investimentos e torná-los mais atraentes. Você tem uma comparação objetiva para as decisões de investimento", afirmou.

O pedido feito pelo Tesouro à Andima para desenvolvimento dessa nova família de índices se deve à percepção de que a economia está mudando e a estabilidade econômica favorece a existência de horizontes mais longos, criando um ambiente propício aos investimentos de longo prazo, esclareceu o Secretário.

"Esses índices servem exatamente de baliza para os investimentos de longo prazo, seja através de fundos de pensão ou de fundos mútuos comuns. Eles são o que se chama no mercado de benchmark, ou índices de referência. Então, você vai poder saber se o seu investimento está indo pior ou melhor".

A nova família inclui desde índices para papéis pós-fixados (IRF-S), indexados à taxa Selic, até índices para papéis indexados à inflação de prazos longos, acima de 5 anos, como o IRF-C e IRF-B, compostos por títulos atrelados ao IGP-M e ao IPCA, respectivamente. "Com isso você pode permitir que diferentes fundos, mais especializados, tenham referências bem claras e transparentes que todo mundo sabe como foram calculadas", afirmou Levy.

O secretário do Tesouro fez inclusive um prognóstico, "com os riscos de todo prognóstico", de que a indústria de fundos pós-fixados, com papéis atrelados à Selic, poderá adotar crescentemente um dos índices, o IRF-S, que mostra rentabilidade da carteira total de papéis indexados à Selic, como sua referência, em substituição aos CDI (Certificados de Depósitos Interfinanceiros). Levy analisou que o IRF-S é um candidato natural para isso. "Quer dizer, o índice é mais um instrumento para a indústria poder oferecer mais opções ao poupador brasileiro".

Levy esclareceu também que não existe nada contra o CDI. Apenas, a nova família de índices que será calculada pela Andima se baseia em informações fornecidas por 50 instituições financeiras e terá publicação diária. "Trata-se de uma metodologia conhecida que todo mundo pode acompanhar no site da Andima", afirmou.

No período de 60 dias até março, a Andima e o Tesouro realizarão testes e coleta de dados, para análise da aderência do mercado e do funcionamento do convênio. Os índices vão refletir o retorno da carteira em mercado. Serão índices de negociação de mercado secundário, ponderados pelo total da carteira de papéis públicos em estoque no mercado, sublinhou o secretário.

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