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Ciência e Tecnologia
04/01/2005 - 09h23
Fungo brasileiro pode salvar plantações na África
Antonio Carlos Quinto - Agência USP
 

Um fungo descoberto no Nordeste brasileiro está salvando plantações de mandioca em países africanos. O Neozygites tanajoae, identificado pela primeira vez em 1989, é capaz de matar o ácaro verde (Mononychellus tanajoa), que já causou perdas de até 80% na produção de mandioca no Benin. O fungo foi descrito pelo professor Ítalo Delalibera, do Departamento de Entomologia, Fitopatologia e Zoologia Agrícola da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP de Piracicaba.

Delalibera conta que o ácaro verde pode ter entrado na África acidentalmente na década de 70, quando passou a prejudicar plantações de mandioca. "A cultura tem importância, inclusive, social em diversos países daquele continente. Há locais em que são consumidos cerca de 300 quilos de mandioca per capita por ano. A ação do ácaro verde passou a prejudicar a produtividade", conta. O ácaro verde se alimenta das folhas da mandioca e suga células da planta, que perde coloração e prejudica o processo de fotossíntese. "Trata-se de uma praga de ciclo muito rápido, mas chegou a atingir vários países africanos, numa extensão que pode ser comparada ao continente europeu", descreve o professor.

Depois de várias tentativas de se inserir plantas resistentes à praga, organismos internacionais decidiram por encaminhar estudos para se encontrar formas de controle biológico. O Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA), com sede em Benin, juntamente com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Centro Interamericano de Agricultura Tropical (CIAT), da Colômbia, com recursos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), passaram a investir num projeto de controle biológico. Em 1999, depois de identificar e descrever o Neozygites tanajoae, o professor Delalibera coordenou testes iniciais e a introdução do fungo para controle dos ácaros que atingiam plantações no Benin.

Sonda molecular

Mesmo não possuindo estatísticas sobre a redução de perdas nas plantações, Delalibera afirma que o controle biológico foi realizado com sucesso. O pesquisador constatou a eficiência em laboratórios norte-americanos. Como parte de seu trabalho de doutorado, realizado na Universidade de Cornell, em Nova Iorque, ele desenvolveu uma sonda molecular que comprovou a ação do fungo sobre o ácaro verde. "Examinamos material colhido na África e constatamos, a partir de comparações de DNA do fungo brasileiro e do ácaro que o processo foi eficaz", conta.

As análises laboratoriais, segundo o professor, possibilitaram a comprovação dos resultados positivos. Depois do Benin, organismos internacionais esperam introduzir o Neozygites tanajoae em outros países africanos. "Para os próximos anos, há planos de introduzir o patógeno no Quênia, Moçambique e em outras nações do continente", antecipa o pesquisador. Delalibera conta que, dois anos após a liberação o fungo foi encontrado num raio de 200 quilômetros de distância. "Ele tem a capacidade de propagar-se sem a intervenção humana", diz.

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