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SEÇÃO
Economia e Negócios
07/01/2005 - 12h03
Mercado monetário atual e as dificuldades do dólar
Sandra Rufino e Jair Diniz Miguel
 

O surgimento de blocos econômicos, como forma de sobrevivência e disputa no acirrado mercado mundial contemporâneo, tiveram como efeito questionar os mecanismos de ajustes econômicos que estão em vigor até hoje. Esse novo arranjo institucional das economias nacionais tenta também criar moedas fortes que possam enfrentar as turbulências que se evidenciam na flutuação cambial das moedas fortes em todos os mercados.

Em compasso com a política de unificação dos países europeus, o surgimento e uso de uma moeda única entre os estados que fazem parte da União Européia, indicam uma tentativa de estabilização que fuja da conversibilidade do Dólar de forma mecânica e unilateral. Os instrumentos adotados desde 1979 e confirmados através do tratado de Maastricht de 1992 são importantes subsídios a política de valorização da moeda européia, principalmente os mecanismos cambiais, a moeda unificada, os instrumentos de financiamento e um fundo monetário europeu.

O avanço da UE, que em 2004 agregou mais dez países, em sua maioria ex-pertencentes ao bloco soviético, trouxe mais áreas de expansão comercial e cambial dentro da própria comunidade européia. Essa ampliação da abrangência do Euro acontece em um momento de espera da economia americana, que estava em uma situação de expectativa devido às eleições presidenciais nos EUA e os impasses no Oriente Médio (Iraque, Al Qaeda, Afeganistão etc.).

A ação bélica americana está ampliando os gastos governamentais e aumentando o déficit fiscal dos EUA que tem uma dívida interna e externa gigantesca. A moeda padrão na economia mundial, o dólar americano, sofre então desvalorizações relativas às moedas mais estáveis no momento. Para evitar isso, o governo americano vem tentando cortar gastos em várias áreas, mas paradoxalmente vem aumentando suas despesas militares (forças armadas, equipamentos, manutenção das intervenções bélicas no mundo etc.).

A interação desses fatores mais o desempenho menos expansivo da produção associado à queda nos valores das commodities, aumento da competição entre países produtores e aumento do petróleo, leva também a economia americana a buscar novas formas de lucratividade, investindo em mercados financeiros em busca de liquidez e sobras para auxiliar no crescimento econômico que ainda não está funcionando muito bem. O acúmulo de resultados tanto positivos quanto negativos mostra que falta alguma coisa para que os americanos possam se recuperar da recessão pela qual passam.

Os mercados europeus também têm que lidar com esses fatores, mas tanto a expansão da UE quanto as dificuldades relacionadas ao dólar tendem a deixar uma certa reserva ao Euro, que é capaz de se fortalecer frente a moeda americana, mesmo que tenha também seus problemas intrínsecos, principalmente os ligados a ajuda e fortalecimento das economias nacionais mais frágeis e devedoras da nova Europa unificada. Porém, essas dificuldades estão sendo compensadas pela expansão do crédito e de novos mercados consumidores protegidos.

O padrão adotado de conversibilidade que faz do dólar a moeda que regula os mercados cambiais é ainda um empecilho ao fortalecimento do Euro, pois um aumento que possa comprometer o dólar faria com que houvesse falta de capitais no mercado e assim quebrar parte das reservas cambiais mundiais levando várias economias nacionais a bancarrota.

O mercado europeu tem que conviver com sua moeda forte, mas ao mesmo tempo não pode transformá-la ainda em padrão monetário internacional. A valorização atual tem também esse componente. Se o Euro é a moeda do futuro, somente a adequação dos mercados a essa nova configuração monetária poderá dizer.

Em síntese, o fraco desempenho econômico americano associado à expansão da UE levaram os mercados financeiros a apostarem mais na moeda européia e assim levá-la a novos patamares de valorização. Se a tendência for essa, a reação americana pode ser de mais competitividade com os europeus nos mercados financeiros e produtivos além da busca de equilíbrio orçamentário, que parece estar longe ainda da visão do governo americano. Se as taxas de crescimento não melhorarem tanto globalmente quanto nos EUA, poderá haver ainda uma maior ampliação do valor do Euro em relação ao dólar. Um cenário muito ao gosto das autoridades econômicas européias.


Nota do Editor: Sandra Rufino é coordenadora do curso de Administração das Faculdades Integradas Rio Branco e da área de produção da Agencia de Desenvolvimento Solidário. Jair Diniz Miguel é doutorando em História Social

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