|
A inadimplência no Brasil em 2004 apresentou, em relação a 2003, forte redução em todos os indicadores, os dados fazem parte de levantamento feito pela Equifax, empresa fornecedora de soluções para gestão de crédito. As maiores quedas ocorreram nas falências e concordatas. Em 2004, o número de falências requeridas totalizou 17.318 e o de falências decretadas 3.645. Com relação a 2003, ambos os números caíram 23% e 13,7%, respectivamente. Desde 1994 não havia uma quantidade tão baixa de falências requeridas. As concordatas requeridas e as deferidas diminuíram 30% e 34,4%, respectivamente, na comparação de 2004 com o ano anterior. Os títulos protestados atingiram o total de 7,91 milhões de unidades em 2004, o que representou uma contração de 9,8% em relação ao ano de 2003 (nesse ano houve 8,77 milhões de protestos em todo território nacional). Foi o melhor desempenho desse indicador desde 2001. Houve também redução do número de cheques sem fundos. As devoluções de cheques por falta de fundos somaram 35,98 milhões em 2004, contra 37,80 milhões em 2003. Ocorreu, portanto, uma queda de 4,8%, que representou 1,82 milhões de cheques devolvidos a menos. No entanto, o assessor econômico da Equifax, João Pamplona, afirma que os dados do último bimestre de 2004 revelam uma tendência menos favorável para a inadimplência do que aqueles correspondentes à totalidade do ano. Na análise do comportamento dos três principais indicadores de inadimplência, verifica-se que o número de títulos protestados e de falências requeridas caíram na comparação com o último bimestre de 2003, no entanto o número de cheques devolvidos sobe. A queda no período dos protestos foi de 3,6% e do número de falências requeridas foi de 6,1% e a elevação dos cheques devolvidos foi de 7,3%. Já no confronto do último bimestre de 2004 com os dois meses imediatamente anteriores, constata-se que todos os principais indicadores subiram. Os protestos cresceram 15,9%, os cheques sem fundos 7,1% e as falências requeridas 23,7%. Nota-se que na margem a inadimplência dá sinais de elevação. "A inadimplência diminuiu em 2004 como reflexo da alta atividade econômica. O PIB de 2004 deve aumentar algo como 5%, uma taxa de crescimento muito expressiva para os padrões recentes do Brasil. Os principais dados macroeconômicos brasileiros revelam um desempenho bastante favorável da economia brasileira em 2004. A produção industrial e as vendas do comércio varejista em 2004 devem crescer acima de 8%; a taxa de desemprego caiu; há uma recuperação, ainda que tímida, do rendimento dos trabalhadores; as contas externas tiveram desempenho favorável", explica o economista. No que se refere à tendência de elevação, verificada no comportamento mais recente da inadimplência, pode-se explicá-la em grande parte pelo efeito da desaceleração no ritmo de expansão da economia no último trimestre de 2004. Para Pamplona a alta dos juros, ocorrida desde setembro, é o principal motivo da contenção do crescimento econômico nesse período.
|