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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pronunciou-se recentemente a favor da extensão de linhas de crédito para o desenvolvimento das micro e pequenas indústrias, bem como da ampliação do acesso ao sistema financeiro para grande parte da população de baixa renda que, hoje, sequer tem condições de movimentação de valores em bancos. Apesar da determinação de nosso presidente, deve-se salientar que a possibilidade de acesso à rede financeira e a instituições bancárias, como o Banco do Povo ou o Banco Popular, ou, ainda, iniciativas privadas muito bem desenvolvidas, como a experiência dos Correios com o Banco Postal, não atingem de fato o grande problema, que é a geração de renda. Junto com essas medidas, o governo vem tentando abrir as portas do microcrédito àqueles que, de iniciativa própria e empreendedora, querem um capital destinado à realização de seus sonhos de produção ou prestação de serviços - acesso fácil e desburocratizado, a juros mais baixos. Mas, apesar da inclinação do governo em oferecer facilidades no empréstimo de capital, em larga escala, tais atrativos ainda não são fornecidos. De qualquer forma, há uma saída já conquistada pelos trabalhadores do Brasil (e de outros lugares do mundo), que realiza sonhos e possibilita empreendimentos sustentáveis, sem depender das políticas governamentais, que nem sempre chegam a atender o cerne do problema: as cooperativas de crédito. Elas estão em nosso meio há muito tempo. Embora tenham que "brigar" com os bancos privados, suas operações têm manifestado interesse de algumas instituições financeiras, dada a sua forma de operação, que reduz riscos e basicamente se auto-sustenta sob o ponto de vista de valores e cauções. Ao governo falta, então, ser mais explícito quanto ao apoio ao desenvolvimento do cooperativismo de crédito, um sistema baseado na proposta de ascensão de camadas marginalizadas pelo sistema financeiro instituído, ou mesmo uma saída inteligente contra os juros escorchantes dos bancos. A Cooperativa de Crédito tem tudo para se tornar uma forma independente de financiamento de grandes projetos e empreendimentos, de qualquer vulto, não se restringindo somente às camadas mais pobres da população. O sistema sugere uma nova forma de se buscar crédito, baseada na cooperação mútua e no conhecimento de necessidades locais/regionais, afastando a sede de lucros que os bancos possuem. Sua operação é relativamente simples e pode ser associada a qualquer instituição financeira, o que dá margem para excelentes negociações em matéria de rentabilidade do capital depositado, além de permitir aos seus sócios o acesso ao crédito com juros muito mais baixos do que os praticados no mercado. Iniciativas do governo, como a do Banco Popular, devem ser aplaudidas. Mas, com elas, as cooperativas de crédito estão aí - e vão ficar - para provar que existe uma tendência mundial na busca de novos paradigmas em relação à movimentação de capital. Diversos estudos estão sendo desenvolvidos no sentido de viabilizar bons projetos de cooperativas de crédito para grupos interessados. Pode-se observar que, ao expor os benefícios do sistema, uma nova perspectiva de investimento - e, conseqüentemente, crescimento - se descortina no mercado. Nota do Editor: Daniel Augusto Maddalena é consultor especialista em Sistemas Cooperativos.
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