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Dar boas risadas é uma delícia que fica ainda mais saborosa com os casos contados em "Manual de Desculpas Esfarrapadas". São dezoito casos, histórias, crônicas e contos que desmancham qualquer cara feia. Uns desatam gargalhadas estrondosas, outros risos mais comedidos, mas sempre divertem e chutam para longe qualquer mau humor. O autor separou o livro em três partes: mentiras, mancadas e maluquices em geral. No capítulo das mentiras há hilariantes relatos como o do rapaz que a caminho da escola pretendia devolver uma fita de vídeo à locadora. Quando já estava na porta o pai o obrigou a voltar para pegar o lixo e levar até a lixeira do prédio. Adivinha? O cabeça-de-vento acabou jogando o saquinho com a fita de vídeo na lixeira também. Antes que ele se desse conta, o lixeiro já tinha levado tudo. Para se livrar de pagar 50 reais por uma nova ele resolveu inventar a "mentira mais plausível do mundo": tinham roubado seu carro com a fita dentro. Todos se comoveram, mas continuaram irredutíveis no preço da fita nova. Ele rodou várias locadoras tentando um abatimento. Na última resolveu contar a verdade, ou seja, que tinha jogado a fita no lixo. A moça que o atendeu caiu na gargalhada, achando que era a mentira mais deslavada do mundo, e acabou lhe vendendo uma fita nova por 20 reais. No rol das maluquices em geral, uma das mais engraçadas é o "comunicado aos condôminos", que discorre sobre a obrigatoriedade de instalação na cabeça de todos os condôminos de um dispositivo chamado "detector de vazamento de idéias cretinas". Diante da iminência de qualquer idéia idiota, o dispositivo estaria programado para disparar um apito estridente deixando as pessoas próximas já de sobreaviso e preparadas para aparar o absurdo. O aviso dá até instruções de instalação: rente à raiz dos cabelos. Para os carecas estaria sendo providenciado um modelo intra-auricular. "Manual de Desculpas Esfarrapadas" é mais um título da Coleção Há Casos. Sobre a coleção Há Casos A coleção Há casos... tem como principal objetivo homenagear "a boa prosa", tomando o termo em seu duplo sentido: a prosa livresca e a arte da conservação. Apresentando uma série de livros escritos em linguagem saborosa, ora privilegiando a tradição oral, ora refletindo a dura realidade urbana, a coleção pretende levar o jovem leitor a valorizar suas histórias, a ler a realidade, de modo a reavaliar seu cotidiano. Casos de amor, de bom humor, de sabedoria de índios, de família, de lembranças do interior, de vida e morte contadas por quem conhece os segredos da arte de narrar, por quem sabe escolher a imagem que melhor descreve o sentimento, a palavra cuja sonoridade e sentido mais traduz a sensação pretendida. O autor Leo Cunha é mineiro, mestre em Ciência da Informação, professor universitário, jornalista e tradutor. Já escreveu cerca de 30 livros, a maioria deles marcados cheios de humor, como "Pela Estrada Afora", "O Menino Que Não Mascava Chicle" e "O Macacão Espantado". Já mereceu alguns dos mais importantes prêmios de literatura infanto-juvenil brasileira, como o Jabuti. O ilustrador Daniel Kondo é gaúcho, foi diretor de arte da agência de publicidade DPZ, em São Paulo, trabalhou como ilustrador no Jornal da Tarde, faz também ilustrações para as revistas Capricho, Elle,Claudia e Superinteressante. Foi finalista do prêmio Jabuti e melhor ilustrador de 1997 com o livro "Domingo Jóia", de Flávio de Souza. Coleção Há Casos "Manual de Desculpas Esfarrapadas - Casos de Humor" Leo Cunha, com ilustração de Daniel Kondo Editora FTD, 96 páginas, R$ 17,70 SAC - 0800-158555
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