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O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Roberto Busato, classificou no dia 27 como "extremamente preocupante e indicador da necessidade de medidas urgentes e eficientes" o índice de desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas do Brasil em março. Ele atingiu 12,8% da população economicamente ativa, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a maior taxa desde outubro do ano passado, quando ficou em 12,9%, e significa que 2,7 milhões de pessoas estavam desempregadas em março nessas seis regiões, ou 211 mil a mais que no mesmo mês de 2003. "A solução para o desemprego depende de mudanças ousadas de rumo na política econômica, até aqui, lamentavelmente, não sinalizadas pelos que a conduzem", afirmou Busato. "O desemprego continua sendo um dos maiores desafios e perplexidades do Brasil, agravado pelo perfil social injusto e distorcido do País", acrescentou, observando que um governo que foi eleito para realizar as mudanças "não deveria persistir na ortodoxia econômica". O presidente da OAB disse que a sociedade continua à espera da adoção de políticas eficientes, que estimulem a geração de empregos e reduzam os entraves provocados pelo alto Custo Brasil. "Medidas que afrontem o modelo monetarista-financista, no qual o País continua inserido. Contra esse modelo que favorece a especulação em detrimento da produção, aumentando a concentração de renda e agravando o desemprego e que ainda torna o País extremamente vulnerável a ataques especulativos externos", sustentou. Busato observou que a lição que o mundo tem a oferecer, ainda que dividido entre ricos e pobres, opressores e oprimidos, é que a paz social está ligada sim à estabilidade econômica, mas, sobretudo, às oportunidades de emprego". Ele salientou que essas oportunidades "não estão ocorrendo em nosso país e são reclamadas pela sociedade". O presidente da OAB lembrou que a entidade vem chamando a atenção, em seus fóruns e manifestações públicas, para a preocupante falta de perspectivas e de oportunidades de empregos, principalmente para as camadas mais jovens da população, gerando desesperança e até desespero. "Essa conjugação perversa empurra milhares de jovens diariamente para o caminho das drogas e da violência e seu resultado tem sido a explosão social que assistimos diariamente, do Rio de Janeiro a Rondônia, do Oiapoque ao Chuí", disse Busato.
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