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Ciência e Tecnologia
10/05/2004 - 12h16
Ampliação do aproveitamento do camu-camu
Agência USP de Notícias
 
Fruto tem concentração de vitamina C maior do que a acerola. Desenvolvimento de enxertos irá melhorar adaptação da planta, nativa das regiões alagadas da Amazônia, para o cultivo em terra firme.
 
 
  O arbusto camu-camu encontrado em regiões alagadas da Amazônia.

O camu-camu, arbusto encontrado nas regiões alagadas da Amazônia, está sendo enxertado em diferentes plantas porta-enxerto para melhorar sua adaptação ao cultivo em terra firme. O estudo é de Eduardo Suguino, pesquisador da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP em Piracicaba. A pesquisa, realizada a partir de sementes fornecidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), pretende ampliar o aproveitamento econômico do fruto do camu-camu, que tem grande valor nutricional por apresentar altos teores de vitamina C e potássio.

O pesquisador explica que o camu-camu pode atingir em torno de 3 metros de altura. "O arbusto é encontrado nas margens de rios e igarapés, onde sazonalmente recebe grande quantidade de matéria orgânica trazida, durante a cheia, pelos rios", relata. "O fruto é muito apreciado por peixes, como o tambaqui, que auxiliam na dispersão de suas sementes ao longo dos cursos d’água."

Desde 1999, Suguino vem tentando descobrir um novo porta-enxerto para o camu-camu por meio da enxertia em espécies da mesma família botânica, visando melhorar o seu desenvolvimento em terra firme. O pesquisador fez o enxerto de um "garfo" da planta (ponteira de ramo com 10 a 15 centímetros de comprimento, da espessura de uma caneta) em uma muda de camu-camu mais nova, com resultados positivos. "Também foi tentada a enxertia com a goiaba e a pitanga, sem êxito, e agora estão sendo testadas a jabuticaba, o araçá e a grumixama", afirma.

Vitamina C

O camu-camu começa a produzir a partir dos 3-4 anos de idade, frutificando duas vezes ao ano. "Cada planta pode produzir cerca de 3,5 kilos de frutos", diz o pesquisador. De acordo com Suguino, o fruto do camu-camu é avermelhado-arroxeado, semelhante ao da jabuticaba, apresentando os mais altos teores de vitamina C em frutas. "Enquanto a acerola apresenta em média 1,8 gramas de vitamina C para cada 100 gramas de polpa, o camu-camu tem 2,8 gramas em 100 gramas de polpa", aponta. "Cada 100 gramas de casca do fruto pode conter até 5 gramas de vitamina C". De acordo com Suguino, a Unicamp desenvolveu uma pesquisa sobre a microencapsulação da vitamina C do camu-camu, que foi concluída com sucesso.

Eduardo Suguino observa ainda que os elevados teores de potássio do camu-camu sugerem seu uso no tratamento de hipertensão, por favorecer o balanceamento no nível de sais do organismo. "Na Amazônia, a planta poderia ser plantada e utilizada como fonte de renda para as populações ribeirinhas", afirma. "No Peru, o camu-camu, além de ser usado na produção de sucos, doces e sorvetes, já é exportado, principalmente, para o Japão que utiliza a vitamina C em cosméticos e produtos farmacêuticos."

Adaptação

O pesquisador aponta que o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) conseguiu a domesticação da planta de camu-camu em áreas não alagadas com resultados satisfatórios. "Por ser mais rústica, a planta geralmente tem sido plantada em solos marginais, que não costumam ser utilizados para agricultura", afirma.

Suguino observa que o camu-camu já é plantado por alguns produtores rurais no Vale do Ribeira (interior de São Paulo), região que apresenta algumas regiões alagadiças, com temperatura e umidade do ar elevados, semelhantes aos da Amazônia. "O sucesso na obtenção de plantas com diferentes porta-enxertos, poderá facilitar a adaptação da planta de camu-camu em solos de outras regiões brasileiras, além do Norte do País, aumentando a possibilidade de exploração comercial do seu fruto", conclui.

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