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Comportamento
29/07/2017 - 08h11
Alerta para os labirintos do protagonismo feminino
 
 

A pesquisadora do universo feminino, também palestrante e escritora Alice Schuch, não crê em absoluto que todo o mundo está destinado ao protagonismo e nem que tenha obrigação de fazê-lo. O tema de dar a alma ao outro é um clichê na avaliação dela, um rito bastante recorrente nas relações sociais.

Seguidamente se ouve essa frase, que pode ser da professora aos seus alunos, da profissional ao cliente, da mãe para os filhos: “eu me dou para você”, “me sacrifico por você”, “dou a você a minha alma!”. Em primeiro lugar precisaria ser demonstrado que a alma daquela pessoa é complementar ao outro.

Dar-se totalmente não é protagonismo de acordo com as regras da vida, esse conceito de dar-se, sacrificar-se ou dar a própria alma carece absolutamente de fundamento.

“Não temos necessidade da alma de outrem ou de dar a nossa alma para viver com alegria. Posso ajudar o outro, porém sempre enquanto outro para que não aconteça a substituição, e nesse caso a interferência. Assim sendo podemos, provisoriamente, auxiliar o cliente o aluno ou o filho”, explica.

A inteligência quer a realização do potencial total de si mesma de acordo com a própria especificidade e medida e não lhe convém aceitar doações ou interferências estranhas a si. “O essencial é resgatar a mulher que você deixou de ser ou descobrir quem ainda você não conseguiu ser. É preciso encontrar quem você é”, completa Alice Schuch.

“Somente o que me faz bem merece espaço na minha vida. Habituadas que fomos a não desfrutar dos nossos êxitos e protagonismo pessoal e sim seguir o mandato histórico de doar-nos, ser e viver através de outros, muitas de nós abre invisíveis caminhos que possibilitam o sucesso alheio em detrimento do nosso e logo a seguir nos ressentimos daquelas vitórias que não protagonizamos”, observa.

Repetir o clichê “atrás de todo o grande homem está uma grande mulher” seria como erguer um monumento ao soldado desconhecido, que depois de dar-se, sacrificar-se e doar a própria vida, permaneceria anônimo.

“Tudo na vida tem prazo de validade! Ah, mas era tão lindo! Sim, pode ser. Mas não sou eu hoje! Não me convém, porque muita coisa mudou, o filho cresceu, o neto nasceu, troquei de trabalho, ou de amigos...”, alerta. A ordem é andar em frente!

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