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O programa "Abrindo Espaços - Educação e Cultura para a Paz", da Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), atende a mais de seis milhões de pessoas em todo o mundo e pretende ampliar sua ação no Brasil a partir de 2005 por meio de uma parceria firmada com o Ministério da Educação. A informação foi dada pela diretora técnica do organismo, Marlova Jovchelovitch Noleto, que concedeu entrevista, ontem, ao NBR Manhã, canal a cabo do sistema Radiobrás. Segundo ela, o objetivo do programa é promover a inclusão social, contribuir para a mudança da prática pedagógica nas escolas e integrá-las ao cotidiano do jovem e da comunidade. "O programa também quer trabalhar junto à escola no resgate de sua função de aprendizagem e de prazer para que o jovem se sinta, de fato, bem dentro dela", disse. No final de abril, durante o Congresso Ibero-Americano sobre Violências nas Escolas, o ministro da Educação, Tarso Genro, anunciou que vai adotar o programa da Unesco e recomendá-lo como uma política pública do governo federal. O objetivo é levá-lo para todos os estados brasileiros. Segundo Marlova Noleto, além dos grandes centros pretende-se estender os benefícios do Abrindo Espaços para o interior do país, como já acontece no município de Juazeiro (BA). O Programa Abrindo Espaços - Educação e Cultura para a Paz já é desenvolvido nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Os critérios para seleção das escolas são definidos pelas secretarias municipais de Educação e Unesco. "O local onde essa escola está inserida, o número de pessoas que serão atendidas, as ofertas e oportunidades de lazer e cultura, são critérios que avaliamos", disse a diretora. Marlova Noleto assinalou ainda que outros critérios positivos na avaliação são o fato dela estar na periferia e possuir um acervo de talentos que pode ser aproveitado no programa. A diretora deu como exemplo uma escola em Pernambuco, que fica numa região de extrema violência e que hoje, nos finais de semana, promove festas de batizado e casamento, "Isso porque a comunidade se apropriou daquele espaço que está protegido, inclusive de depredações". Há cerca de dez dias o representante da Unesco no Brasil, Jorge Werthein teve uma audiência no Ministério do Trabalho, onde sugeriu uma parceria com o Programa Primeiro Emprego. Segundo a diretora da Unesco a idéia é aproveitar as oficinas ministradas nas escolas para inserir os jovens no Primeiro Emprego. "Mas é uma idéia que ainda está em discussão", explicou. Marlova Noleto lembrou que os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), demonstram que o Brasil tem cerca de 35 milhões de jovens, entre 15 e 24 anos. "É nessa faixa etária que está o maior contingente de pessoas presas e que mais se envolvem em situações de violência, quer como agentes ou vítimas", disse. Para a diretora da Unesco, a questão dos "pitboys" impressiona pelo desafio que está posto para os psiquiatras, educadores, pedagogos e sobretudo para os pais. "Em algum lugar, a cadeia de desenvolvimento psíquico falhou. Para mim, os jovens de hoje estão, de alguma forma, acuados diante de um futuro que se revela amedrontador".
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