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Profissionais querem aprovação da lei vetada por FHC. 66% das escolas brasileiras desenvolvem atividades de prevenção à AIDS.
As últimas estimativas globais, divulgadas por ocasião do Dia Mundial de Combate à Aids, 1º de dezembro, indicam que 40 milhões de pessoas são portadoras do HIV, e destas, 2,5 milhões são crianças com menos de 15 anos. No Brasil, a doença apresenta sinais de estabilização, mas continua muito presente no interior do país, sobretudo entre as mulheres mais pobres. Educação, ética e prevenção serão os temas debatidos no 8º Educaids - Encontro Nacional de Educadores para Prevenção das DST/AIDS, que será realizado em Guarulhos entre os dias 3 e 6 de junho. No encontro, a inclusão da disciplina Educação Preventiva na grade curricular do ensino fundamental e médio volta à pauta de discussão. A proposta foi debatida pela primeira vez no 5º Educaids, transformou-se em projeto de lei, passou pela Câmara Federal, mas foi vetada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Agora, com o apoio do Ministério da Educação e o Ministério da Saúde, a idéia renasce com grande possibilidade de ser aplicada em toda rede de ensino do país. A abordagem de temas ligados a questões de gênero, sexualidade ou drogas ainda é muito delicada. Porém, a história já provou que a educação é a melhor ferramenta para o desenvolvimento humano. Desta forma, a capacitação de professores e a implantação de programas de educação preventiva nas escolas municipais e estaduais do país são os principais meios para deter a propagação da epidemia. Um levantamento, encomendado pelo MEC e realizado pela APTA - Associação para Tratamento e Prevenção às DST/Aids, junto às secretarias de Educação e de Saúde de 2.138 municípios brasileiros demonstrou um aumento considerável no percentual de escolas que mantêm alguma atividade de prevenção às DST/AIDS, de 19%, em 1998, para 66%, em 2004. Mas este índice está longe do ideal, principalmente se considerarmos que, para muitas escolas, projetos de prevenção significa apenas a realização de uma palestra ou seminário. Questões éticas como a participação dos seres humanos em testes e pesquisas médicas, além da forma de tratamento feito por professores, pela sociedade e pela mídia às pessoas soropositivas também serão debatidas no Encontro. "Alguns professores ainda não sabem como lidar com a criança soropositiva sem propagar o preconceito, e a mídia, por sua vez, insiste em buscar pacientes com HIV para apresentá-los como parte de um show de horrores que descaracteriza o papel social da imprensa", analisa Teresinha dos Reis Pinto, coordenadora do evento. O 8º Educaids é iniciativa da Apta e tem o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Unaids, Ministério da Educação (MEC), Ministério da Saúde, entre outros.
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