20/03/2026  19h41
· Guia 2026     · O Guaruçá     · Cartões-postais     · Webmail     · Ubatuba            · · ·
O Guaruçá - Informação e Cultura
O GUARUÇÁ Índice d'O Guaruçá Colunistas SEÇÕES SERVIÇOS Biorritmo Busca n'O Guaruçá Expediente Home d'O Guaruçá
Acesso ao Sistema
Login
Senha

« Cadastro Gratuito »
SEÇÃO
Economia e Negócios
30/05/2004 - 06h13
Dekasseguis querem abrir negócios no Brasil
 
 
Pesquisa com perfil dos nipo-brasileiros será divulgada nesta segunda-feira (31), em conferência sobre remessas no Rio.

Cerca de 50% dos nipo-brasileiros que emigram ao Japão para trabalhar têm a intenção de regressar ao Brasil para abrir um negócio próprio. A constatação foi feita pela primeira pesquisa sobre dekasseguis aplicada no Brasil e no Japão com metodologia científica e desenvolvida por uma entidade brasileira, a ABD (Associação Brasileira de Dekasseguis), em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

O resultado da pesquisa, com enfoque no empreendedorismo, será apresentado na I Conferência Nacional "As remessas como um instrumento de desenvolvimento no Brasil", organizada pelo Banco Interamericano de Investimentos (BID), por meio do Fundo Multilateral de Investimento e Fundação Getúlio Vargas (FGV) e que será realizada nesta segunda-feira (31), no Hotel Le Meridien Copacabana, no Rio de Janeiro.

Durante a conferência, será discutido o impacto econômico das remessas no desenvolvimento local e no setor financeiro brasileiro e o aperfeiçoamento da canalização de mais recursos pela via formal bancária do país. Um dos pontos centrais é debater sobre métodos para reduzir custos das transferências e a oferta de serviços financeiros para os remetentes e suas famílias. Pesquisas do BID apontam que em 2003 mais de US$ 38 bilhões foram enviados via remessa às Américas, dos quais o Brasil recebeu US$ 5,2 bilhões.

A comunidade dekassegui está sendo abordada neste evento porque representa um contingente de 268 mil pessoas e que enviam em torno de US$ 2 bilhões/ano ao Brasil. "Como a maioria dos que voltam ao Brasil e abrem um negócio não têm tido muito sucesso, foi realizada esta pesquisa para conhecer melhor o perfil do dekassegui empreendedor e cidadão em três momentos: antes da partida para o Japão, morando no Japão e de volta ao Brasil", conta o presidente da ABD, Rui Hara.

O estudo foi realizado nos meses de janeiro e fevereiro com aplicação de 1.179 questionários no Brasil (SP, PR, MS e PA) e 322 no Japão, totalizando 1.501 questionários. A pesquisa de campo foi coordenada pelos professores Kaizo Iwakami Beltrão, do IBGE e Sonoe Sugahara Pinheiro, do IPEA sendo esta a única pesquisa acerca da comunidade dekassegui, cuja amostragem foi baseada no censo do IBGE de 2000, refletindo a distribuição por Unidades da Federação de pessoas que estavam no Japão em 1995 e que retornaram ao Brasil.

De acordo com a pesquisa, entre os que estão indo para o Japão, 70% têm menos de 40 anos e 11.46% dos homens e 12.8% das mulheres têm ensino superior completo. No Japão eles trabalham em média 60 horas/semana sendo que 63% dos homens e 43,8% das mulheres têm intenção de regressar ao Brasil e abrir negócio próprio; sendo que, regressar com a poupança e viver de rendas e trabalho foi a segunda alternativa mais apresentada.

Entre os entrevistados que voltaram, 39.3% dos homens e 26% das mulheres já estão desenvolvendo negócios e em torno de 13% ainda não abriram, mas desejam ter um negócio próprio. Dos que já são empresários, apenas 14.6% dos homens e 8.2% das mulheres afirmam que estão tendo sucesso com seu negócio.

De acordo com o Diretor de Administração e Finanças do Sebrae Nacional, Paulo Okamotto, esta pesquisa visa proporcionar um conhecimento mais sólido para a construção coletiva de um programa voltado para o desenvolvimento da cultura empreendedora e para a orientação empresarial dos Dekasseguis brasileiros. "A ambição deste programa é transformar a presença dos emigrantes, seja através de suas remessas ou seja através de sua capacidade empreendedora, em fator de desenvolvimento".

Segundo Okamotto, o programa visará também à preservação e ao crescimento do capital acumulado pelos Dekasseguis brasileiros, durante o período de seu valoroso trabalho nas empresas japonesas, procurando canalizá-lo para o desenvolvimento econômico local e regional no Brasil.

Impacto das remessas no sistema financeiro brasileiro

A pesquisa sobre dekassegui é um dos destaques da I Conferência Nacional sobre Remessas, que acontece nesta segunda-feira (31), no Hotel Le Meridien Copacabana, no Rio de Janeiro. O encontro é realizado pelo Fundo Multilateral de Investimentos (FUMIN) do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (Ebape/FGV).

Durante a conferência, também será apresentado um estudo encomendado pelo FUMIN à consultoria Bendixen & Associates sobre as transferências feitas por brasileiros residentes nos Estados Unidos às suas famílias no Brasil.

Participam do encontro representantes do governo brasileiro, instituições multilaterais e financeiras, nacionais e estrangeiras, ONGS e fundações. O presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, será um dos participantes do evento.

De acordo com o BID, os imigrantes da América Latina e do Caribe que trabalham em países desenvolvidos mandaram a seus países de origem no ano passado US$ 38 bilhões, um valor superior aos US$ 32 bilhões de 2002. O FUMIN é um fundo independente administrado pelo BID e dedicado à promoção do desenvolvimento do setor privado e da eficiência dos mercados na América Latina e no Caribe. O fundo vem estudando o tema desde 2000 para identificar o impacto econômico e social desses recursos na região.

Atualmente, o FUMIN financia projetos que permitem a participação de cooperativas de crédito e de entidades da área de microfinanças latino-americanas no mercado de remessas. O objetivo é estimular a formação de parcerias entre essas instituições e prestadores de serviços dos países industrializados e, ao mesmo tempo, apoiar programas de melhoria de sua tecnologia e de capacitação de sua mão-de-obra.

A participação dessas entidades financeiras tem o potencial de criar um ciclo virtuoso nesse mercado. Para as cooperativas de crédito e instituições de microfinanças, as remessas podem se transformar em uma fonte alternativa de captação de recursos que, por sua vez, poderiam ser destinados aos empréstimos voltados para as micro e pequenas empresas.

A concorrência entre instituições financeiras em relação às remessas poderá provocar uma redução dos custos dessas transações. Desta forma, as famílias que recebem esses recursos terão mais opções de poupança e investimento. Hoje, entre 5% e 10% das 20 milhões de famílias beneficiárias das remessas na região recebem esse dinheiro por meio de contas bancárias.

PUBLICIDADE
ÚLTIMAS PUBLICAÇÕES SOBRE "ECONOMIA E NEGÓCIOS"Índice das publicações sobre "ECONOMIA E NEGÓCIOS"
30/12/2022 - 05h36 Para crescer é preciso investir
27/12/2022 - 07h35 Crise e escuridão
20/12/2022 - 06h18 A inovação que o Brasil precisa
11/12/2022 - 05h50 Como funciona o treinamento de franqueados?
06/12/2022 - 05h49 Aplicações financeiras
05/12/2022 - 05h54 Cresce procura por veículos elétricos no Brasil
· FALE CONOSCO · ANUNCIE AQUI · TERMOS DE USO ·
Copyright © 1998-2026, UbaWeb. Direitos Reservados.