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Oferecer ao estudante uma formação capaz de ajudá-lo a pensar é um dos pontos que representantes de sociedades científicas e entidades profissionais sugeriram ao Ministério da Educação, durante debate sobre a reforma da educação superior realizado no dia 7. "Formar o cidadão para saber formular uma pergunta é um desafio que está na construção da reforma universitária", disse o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ennio Candotti. Das 9h às 18h, 46 instituições das duas áreas reuniram-se em Brasília para refletir sobre o processo de reforma que está em debate desde o início de fevereiro. Entre as dezenas de contribuições, representantes de sociedades e entidades destacaram que a reforma deve levar à construção de um estatuto coletivo para a educação brasileira que irá substituir o modelo que temos hoje, inspirado no sistema norte-americano. Para isso, deve valorizar a formação do cidadão e a capacitação técnica, melhorando a educação desde o ensino infantil até a pós-graduação; formar e remunerar o professor para que dê sustentação ao programa a ser implantado; integrar as instituições de ensino superior com as entidades científicas e profissionais de cada área; e encarar a avaliação institucional com todos os seus atores: professor, aluno e servidor. Diversas entidades afirmaram que a reforma é um processo complexo e polêmico que reúne interesses e interessados e, portanto, deve ter caráter permanente. Nessa complexidade, terá de fazer modificações pontuais, como a formação nas áreas de saúde. Por exemplo, formar profissionais que irão trabalhar a prevenção de doenças em contraponto à formação atual, que privilegia a medicina curativa; criar a cultura da pesquisa desde o ensino básico, para despertar talentos, e sair do ciclo vicioso no qual, na sala de aula, o professor fala e o aluno anota. Ao final do encontro, o presidente da SBPC lembrou que foi dada a partida para uma reflexão de quais são as mudanças necessárias em cada área do conhecimento e que o desafio é construir um sistema capaz de promover essas mudanças. "A nossa cultura é de sobrepor e não de mudar, mas agora será preciso saber eliminar coisas", disse. Ennio Candotti anunciou que a SBPC vai convocar a sociedade e os conselhos profissionais para fazer o exercício do debate, da proposição e da mudança. Já o diretor da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, que compôs a mesa de debates, sugeriu que o País faça um pacto para mudar a educação brasileira.
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