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Crônicas
10/04/2021 - 07h00
O preguaí
Maria Angélica de Moura Miranda
 
 
Arquivo MAMM 
  Preguaí.

Na minha infância o preguaí (Strombus pugilis) era um marisco muito apreciado. Quando roncava trovoada meu pai saía e logo voltava com uma sacola de lona cheia até a boca. Só mais tarde eu entendi que era só chegar na Praia do Guaecá [São Sebastião, SP] e pegar as conchas na areia. Há um mistério no comportamento desse marisco que sai do mar em dia de trovoada e fica dando cambalhotas na areia, por isso era rápido e fácil pegar preguaí.

Por causa desse comportamento é conhecida como concha lutadora, age como se estivesse lutando, dando cambalhotas na areia.

Esse búzio tem uma concha de 6 a 10 centímetros na cor salmão que é lavada e vendida ou usada para artesanato, uma vez que é muito bonita. Se alimenta de algas microscópicas e detritos vegetais e vive nas praias há 20 metros de profundidade.

Meu pai então chegava em casa, fazia um fogão de 3 pedras no quintal e colocava uma lata de tinta de 18 litros com água pra ferver, naquele tempo essas latas eram reaproveitadas, tiravam a tampa da parte de cima e batiam o martelo na borda para não machucar a mão.

Depois da primeira fervura a carne se soltava da concha, então era a hora de colher, levar para a cozinha e moer no moedor de carne que ficava preso na mesa. A carne desse marisco é muito fibrosa e meus pais moíam para depois usar como recheio de empadinhas ou fritar no arroz.

O aroma impregnava toda a casa, um cheiro delicioso e totalmente diferente de qualquer outro tipo de carne.

Com o tempo pararam de pegar preguaí, talvez pelo trabalho que dá, os mais novos nem conhecem, mas cada vez que ronca trovoada eu já sei, Guaecá tá cheio.


Nota do Editor: Maria Angélica de Moura Miranda é jornalista, foi Diretora do Jornal "O CANAL" de 1986 à 1996, quando também fazia reportagens para jornais do Vale do Paraíba. Escritora e pesquisadora de literatura do Litoral Norte, realiza desde 1993 o "Encontro Regional de Autores".
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